Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 23/09/2021

A dominação carismática - definição weberiana para o conjunto de ações de um indivíduo que o torna capaz de convencer outros em razão de seu carisma - é um artifício comumente utilizado pelos influenciadores digitais, ou seja, por aqueles que possuem uma quantia expressiva de seguidores nas redes sociais e que atuam como modelos para os internautas nas diferentes mídias, influenciando-os e impactando principalmente em suas decisões de consumo. Nesse sentido, nota-se que a figura do influencer, por possuir alto poder de coerção e persuasão para seus seguidores, tende a ditar as novas regras de aquisição - limitando as escolhas dos influenciados e moldando a roda de consumo a seu favor - em uma relação dominante que utiliza da alienação como fonte de benefício próprio.

Em primeiro plano, deve-se compreender que a relação existente entre mercado e mídia é intrínseca, e, portanto,  grande parte dos influenciadores são movidos principalmente pelo lucro. Isso quer dizer que, à sombra da figura do influencer há um complexo mercado de propagandas e patrocínios de diferentes empresas que firmam acordos pautados na divulgação de seus produtos e marcas. Esse mercado aproveita-se do poder coercitivo do influenciador sobre seus seguidores - isto é, a dominação carismática que o torna capaz de ditar as decisões de consumo - e o utiliza como meio alienante de veiculação de suas publicidades, limitando a percepção de escolha dos fãs e induzindo-os a adquirir os produtos da empresa patrocinadora, que fornece em troca grandes montantes de capital ao influencer.

Em segundo plano, também é válido ressaltar que os impactos dos influenciadores digitais são percebidos no que é chamado “roda de consumo” - fenômeno econômico caracterizado por um conjunto de produtos que ganham espaço hegemônico nas relações de consumo e fazem-se presentes no cotidiano -, visto que o influencer induz a compra principalmente dos produtos dos quais recebe patrocínio, e, portanto polariza seus seguidores ao apelar apenas a uma face de mercado. Desse modo, o influenciador molda a roda de consumo a seu favor em detrimento de certos segmentos comerciais, impactando diretamente na lógica econômica regional.

Dado o exposto, depreende-se que os influenciadores digitais impactam nas decisões de consumo de seus seguidores e interferem nas relações comerciais regionais. Desse modo, é essencial que instituições comerciais iniciem um movimento  pautado na resistência contra os apelos midiáticos de influencers. Esse projeto consistirá na execução de palestras nas redes sociais explicando as restrições provenientes da submissão ao influencer, a fim de romper com a dominação carismática e proporcionar ao consumidor uma visão mais ampla de possibilidades de aquisição e o tornar independente das marcas que patrocinam os ídolos digitais, e, cosequentemente, balancear a roda de consumo.