Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 23/09/2021
A série em quadrinhos “Confinada”, publicada por Leandro Assis, narra, em tom crítico, a trajetória de declínio da personagem Fran, que faz parte da elite e trabalha como influenciadora digital, mas perde seu público e patrocínio pela sua irresponsabilidade. Embora ficcional, a série retrata uma realidade comum no século XXI, pois abre o questionamento da integridade daqueles que são colocados no papel de influenciadores e seu impacto no comportamento e decisões de consumo. Assim, é preciso discutir a problemática da responsabilidade dos digitais “influencers” a partir da ótica mercadológica e ética.
De início, é necessário ressaltar que a repercussão do poder exercido pelos influenciadores nas redes sociais, ambientada no capitalismo, é motor do consumo. Esse cenário pode ser explicado por uma analogia ao livro “Sociedade do Espetáculo”, do filósofo Guy Debord, que relaciona o papel da imagem- aqui promovida pelas fotos, vídeos e outras estratégias de divulgação midiática - com a influência sobre o mercado e o indivíduo, uma vez que, nessa perspetiva, seguidor é levado a se transformar em consumidor pelas constantes publicidades feitas pelos “influencers”. Nesse viés, os criadores de conteúdo são responsáveis pela propulsão do ideológico capitalista no comportamento do mercado, ao divulgarem produtos e marcas para seu público, transformando-os em alvos do consumo.
Ademais, é importante questionar a responsabilidade moral dos influenciadores, visto que promovem certos hábitos que, ao reverberarem pela pela sociedade, podem levar a práticas insustentáveis de consumo. Desse modo, devido a sua posição capaz de criar ideais no imaginário popular, ditando estilos de vida ideais e moda, os criadores de conteúdo, muitas vezes, manipulam seu público a compra de produtos supérfluos, apoiando indústrias prejudiciais para ao meio ambiente, como a ideia de “fast fashion”, explorada no documentário “The True Cost”, que se refere a tendência de roupas de baixa qualidade as quais servem apenas para seguir uma moda passageira, sendo logo descartadas e poluindo o meio ambiente e explorando a mão de obra. Dessa forma, a posição social de criador de conteúdo nas redes deve ser acompanhada de valores que se preocupem com a sustentabilidade, pois arca com a responsabilidade de influenciar e servir de exemplo à população.
Portanto, fica evidente que o impacto dos influenciadores digitais no consumo da sociedade atua na construção mercadológica e ética. Logo, é papel do Estado, por meio de distribuição de verbas ao projeto, promover campanhas educacionais- visto que a educação é motor de mudanças sociais- conscientizem a população sobre a necessidade de questionar a responsabilidade daqueles que seguem, cobrando transparência nas publicidades e postura sustentável coerente, para que possam seguir pessoas que lidam de forma sensata com as relações de consumo, diferentemente da Fran.