Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 23/09/2021
O filósofo humanista Thomas Morus define “Utopia” como uma ilha imáginária dotada de perfeição social e harmonia urbana e humana. Nesse sentido, pode-se inferir que em uma sociedade utópica prevalece o consumo equilibrado e moderado, visando a harmonia mercantil, situação que, entretanto, inexiste em nossa realidade social, que marcada pelo sistema capitalista, promove a busca incessante pelo lucro e o consumo exacerbado como estilo de vida. No obstante, percebe-se que, na atualidade, com o advento da redes sociais, os influenciadores digitais passaram a exercer grande força e influência nas decisões de consumo, uma vez que, dotados de visibilidade, conseguem alcançar um notável número de pessoas, impactando tanto nos modos, como nos meios de consumo.
De início, é evidente que se faz marcante uma dualidade na influência aos modos de consumo, haja vista que os influenciadores podem tanto reduzir quanto provocar um modo de viver pautado no consumo exagerado. O filósofo alemão Theodor Adorno, por exemplo, defende sua tese de indústria cultural, que explica o impacto da nova concepção de se fazer arte e cultura, baseando-se em técnicas do sistema capitalista, na cunjuntura econômica atual. Dessa forma, aqueles influenciadores que encontram-se, constantemente, divulgando associações e produtos, contribuem notoriamente, para o crescimento do consumo social, assim como aqueles que fogem desse padrão, são essenciais para reduzir a fervorosa saciedade ao consumo.
Ademais, depreende-se que a divulgação de mercados, principalmente os digitais, também funciona como um potente contruibuinte à impulsão do consumismo. Considerando a evolução dos mercados digitais e o atual momento que vivenciamos - contexto de pandemia do COVID-19 -, nota-se que os comércios online e plataformas digitais de vendas como a Amazon, Mercado Livre, dentre outras marcas do ramo, ganharam notória força durante esse período, e muito se deve, além das políticas de isolamento social, à intensa divulgação nas redes, por parte desses influenciadores, que acabam por instigar seu público a consumir também, situação que, pode vir-a-ser comparada com o que Friedrich Nietzsche chama de “Moral do Rebanho”, a existência de um comportamento humano, nesse caso, o consumo, puramente submisso e irrefletido sobre os valores dominantes de certa classe social.
Portanto, conhecendo a potente influência sobre o consumo dos influencidores digitais, é primordial que o Ministério da Economia aja na redução do consumo exagerado, por meio de campanhas publicitárias, com participação de influenciadores digitais, para alcançar um maior público na divulgação de ideias mais conservativas quanto ao consumismo, de modo que os indivíduos busquem o equilíbrio no consumo, aproximando-se assim, da harmonia econômica utópica.