Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 25/09/2021
Indubitavelmente, o ano de 2006 demarcou uma nova era na internet com o avanço das redes sociais, de modo que nesse período o Orkut ganhou a preferência dos brasileiros e, a partir dele, outras redes sociais ascenderam, como: Facebook, Twitter e Instagram. Desde então, a internet constitui o principal meio de comunicação existente, passando por um processo contínuo de expansão de sua influência na vida da sociedade. Assim sendo, a influência dos ‘’influencers’’ digitais no incentivo ao consumismo é expressiva e constitui uma problemática, tendo em vista o uso do artifício da manipulação e a formação de nichos comportamentais. À priori, é inegável o poder dos ‘’influencers’’ digitais na determinação de comportamentos sociais voltados ao consumo sem precedentes. Acontece que, nessa instância virtual, a boa argumentação impera como um fator determinante, de modo que os pensamentos e as escolhas individuais dos usuários estão suscetíveis à influência de outrem. Tal como discorreu o psicanalista suíço Jean Piaget, os traços característicos do pensamento humano, tanto na esfera verbal, como na esfera sensorial passam por modificações ao serem socializados. Ou seja, no decurso dessa transformação, a boa argumentação de ‘’influencers’’ se converte em uma garantia de credibilidade dos produtos de consumo difundidos. Outrossim, é fundamental reconhecer que a vulnerabilidade dos indivíduos é potencializada pela propagação de determinados conteúdos por “influencers”, de modo manipulador. Tal realidade reflete a falta de responsabilidade e de comprometimento de determinados agentes, os quais apenas focalizam nos rendimentos monetários em torno do incentivo ao consumismo e tratam de associar a prática a um símbolo de poder, de autoafirmação da individualidade e a um caminho para felicidade. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em “Capitalismo Parasitário”, o consumismo intensificado nos anos 50 corrompeu o indivíduo e tornau-o irracional, à medida em que foi concebido como uma ferramenta de felicidade. Logo, ao persuadir, o “influencer” induz à alienação consumista. Considerando a necessidade de combater os impactos negativos da atuação dos “influencers” digitais nas decisões de consumo, é fundamental a realização, pelo Governo Federal, de projetos educacionais nas escolas públicas e privadas, sob a orientação do MEC, a fim de promover discussões sobre marketing digital e seus artifícios , o que permitiria às crianças e jovens não serem vítimas da manipulação comportamental nas redes. Tal como, é necessária a regulamentação dos conteúdos produzidos na mídia digital, com base nos postulados do Marco Civil da Internet, de modo a banir ações com o fito de manipular.