Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 26/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, se observa um panorama distante, uma vez que os impactos negativos dos influenciadores digitais se tornam fatores contrastantes para a concretização das convicções de More. Sob tal ótica, como contribuintes desse quadro antagônico destaca-se tanto a inadimplência governamental quanto o despreparo educacional da população nas novas tecnologias e nos impactos do consumo desenfreado. Logo, torna-se crucial analisar as causas desse revés na conjuntura brasileira contemporânea.
Em primeira análise, é evidente que a indiligência do Estado potencializa a banalização do consumo alienado ao não instituir mecanismos que coíbam tais ocorrências. Sob esse viés, a Constituição Cidadã, de 1988, decretou como dever público garantir condições dignas no que concerne à educação em sociedade para toda a população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista que dados da revista Metropoles apontam que nos últimos anos, o Instagram registrou mais de 12 milhões de publicações de influenciadores patrocinados por marcas de grife, comprovando a capacidade de manipular a formação intelectual e também a inoperância das esferas de poder. Conquanto, tal realidade nega prerrogativas constitucionais basilares e diverge da teoria magna, portanto, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Ademais, é imperativo ressaltar o despreparo educacional e a incivilidade como importante causa de tal conjuntura. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características e o maior conflito da pós-modernidade. Ao passo que parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças, esse problema assume contornos específicos no Brasil. Diante de tal exposto, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Destarte, urge a necessidade de atuação vigorosa do Estado para mitigar a perpetuação dos impactos nocivos dos influenciadores digitais no Brasil. Em virtude disso, é imprescindível que o Poder Executivo direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido no investimento em palestras educativas, contando com profissionais qualificados para ministrá-las, objetivando a educação social e conscientização do consumo de massas, no âmbito público e privado, para toda a comunidade civil. Assim, observada a ação conjunta entre população e Poder Público, a “Utopia” de More não estará mais delimitada apenas ao plano artístico e poderá ser alcançada pela coletividade.