Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 02/10/2021

A frase “a tecnologia move o mundo” do fundador da Apple, Steve Jobs, ressalta seu pensamento sobre a capacidade da internet de transformar e de desenvolver a sociedade. Hoje, as redes sociais se tornaram parte essencial da vida dos seres humanos, alterando profundamente as relações econômicas: agora, a moeda mais importante do mundo passou a ser a atenção das pessoas. Com efeito, surgem os influenciadores digitais que, com seus milhões de seguidores, possuem a capacidade de influenciar a decisão de consumo da sociedade, seja por conta da propaganda disfarçada de recomendação ou por conta do caráter consumista do brasileiro.

Convém ressaltar, a princípio, que - com o avanço da internet - as formas de fazer publicidades foram fortemente modificadas. Nesse sentido, de acordo com o Google Insights, 70% dos adolescentes que acessam o YouTube se conectam mais com influenciadores digitais do que com celebridades. Sob essa perspectiva, para as empresas, os influenciadores digitais são como uma ponte entre o produto ou serviço que oferecem ao consumidor, pois através deles a publicidade da marca atinge um público que a recebe como um conselho de produto do influenciador que tanto admira, ao contrário das tradicionais propagandas da televisão que só atrapalhavam os programas principais.

Ademais, é notório que tais publicidades de famosos na internet contribuem para o consumido desenfreado no Brasil. Neste contexto, o conceito de “sociedade do consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, um impacto latente causada pela influência dos influenciadores digitais na economia. Sob essa lógica, Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que ainda não se tem. Dessa forma, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, visto o bombardeamento de publicidade realizado pelas pessoas com visibilidade na internet, que buscam demonstrar como os produtos recomendados são de extrema importância, despertando a vontade dos seguidores de comprar e, consequentemente,  alimentando o crescente consumismo no Brasil.

Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, cabe ao Ministério da Educação trabalhar nas escolas o consumo consciente e autêntico, por meio de palestras e projetos incorporados ao currículo escolar, alertando sobre os prejuízos do consumo desenfreado. Além disso, o MEC deve desenvolver campanhas nas redes sociais sobre os perigos da idealização dos produtos divulgados pelos influenciadores digitais, a fim de conscientizar a população a respeito da propaganda disfarçada de recomendação imposta na internet, desenvolvendo, assim, o consumo autêntico. Dessa maneira, o ideal platônico deixaria de reger o consumo dos brasileiros.