Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 09/10/2021
O filósofo alemão Karl Marx, em seu livro “O Capital - I”, apresenta o “fetiche da mercadoria”. Por meio desse conceito, ele explica que nas sociedades capitalistas as coisas aparecem como as verdadeiras detentoras de virtudes, em detrimento do indivíduo humano. Infelizmente, a sociedade brasileira contemporânea enfrenta o mesmo problema, mas adequado às novas tecnologias, uma vez que os influenciadores digitais, impulsionados pelos algorítmos das redes sociais, vendem a ilusão da vida perfeita, diretamente relacionada com o consumo de determinados produtos ou ideias. Destarte, condicionam os usuários a acreditar que o sucesso pressupõe ser influente ou deixar-se influenciar, tornando-os hostil a qualquer argumento em sentido contrário.
Em primeiro lugar, é oportuno salientar que o modo como as redes operam atualmente está diretamente relacionado com a efetividade da venda de um produto ou estilo de vida específicos. Isso porque os algorítmos dessas plataformas tendem a exibir para os internautas apenas aquilo que, em alguma medida, já está em conformidade com as suas opiniões e gostos. Além do que, com essa etratégia é possível moldar implicitamente o comportamento dessas pessoas, podendo chegar, inclusive, ao nível da sociedade apresentada em Nosedive, episódio da série britância Black Mirror, no qual a única vida aceitável é a vendida pelas mídias sociais e todos aqueles que não vivem dessa maneira são considerados inferiores.
Por conseguinte, há a perda da individualidade dos cidadãos e a prejudicial intensificação da intolerância. Sob essa ótica, pode-se citar a história recente do Brasil, mais especificamente o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, durante o qual ficou claro quão problemática é a dinâmica atual das plataformas. Os sites limitam seus usuários que, condicionados pelo consumo exclusivo de suas próprias opiniões, tendem a agir agressivamente quando colocados defronte ao diferente, prejudicando, assim, a saúde da pluralidade democrática do país. Essa situação, certamente, configura-se como desagregadora e não pode ser ignorada.
Desse modo, com o fim de evitar que o Brasil chegue ao mundo destópico de Nosedive e reviva cenários como o de 2016, cabe ao Congresso Nacional elaborar um projeto de lei por meio do qual as redes sociais ficarão obrigadas a alterarem seus algorítmos para que os usuários sejam expostos a conteúdos heterogêneos, ainda que contrários aos seus pontos de vista. Após a tramitação e aprovação nas duas Casas do Poder Legislativo e as regulares sanção, promulgação e publicação do referido projeto de lei pelo Chefe do Poder Executivo, espera-se ser possível frear os efeitos negativos do impacto dos influenciadores digitais nas decisões de consumo dos cidadãos brasileiros.