Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 22/10/2021
“Queda Livre” é um episódio do seriado inglês “Black Mirror”, o qual retrata uma realidade totalmente fundada nas mídias sociais, de forma a satirizar o poder de influência que alguns usuários têm sobre outros. Fora da ficção, na contemporaneidade, esses são chamados de “Influenciadores Digitais” - produtores de conteúdo que ganham maior destaque na rede e acabam gerando impactos reais sobre aqueles que os acompanham virtualmente – que, por esse motivo, estão ganhando gradativamente mais espaço no âmbito publicitário. Visto isso, faz-se pertinente debater acima dos efeitos dos Influenciadores Digitais nas decisões de consumo presentes.
Em primeira análise, é essencial ressaltar que amplificação das mídias virtuais determina o meio digital como um importante canal de comunicação para companhias que procuram ampliar seu alcance publicitário. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acesso a internet no Brasil só aumenta, já atingindo 78,3% da população acima de 10 anos. Além disso, conforme o Instituto QualiBest, sabe-se que 76% dos internautas já compraram algum produto ou serviço com base na recomendação de um influenciador digital, dados que se complementam no que tange a atuação desses usuários sobre o consumidor comum.
Ademais, soma-se à massificação digital a indústria cultural, a qual institui o consumo como um movimento de alienação, e não mais de livre arbítrio. No século XX, os filósofos da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, chegaram à conclusão de que a Indústria Cultural obtém lucro a partir da imposição de padrões de interesses, os quais, na modernidade, seriam predominantemente instituídos pelo meio virtual e seus ideais ilusórios, em que vale mais o ter do que o ser. Dessa forma, os internautas são vistos apenas como potenciais consumidores de fácil manipulação por parte das personalidades que escolhem seguir na rede.
Dado o exposto, fica claro que medidas são necessárias a fim de atenuar o poder dos influenciadores digitais nas decisões de consumo. Portanto, cabe ao Sistema Nacional de Defesa do Consumidor fiscalizar de maneira assertiva esses novos meios de propaganda, deixando claro aos espectadores quando estão sendo expostos à publicidades, garantindo seus direitos. É imperativo que o Ministério da educação, mobilize-se por meio de palestras e campanhas sociais as quais atentem para a importância da filtração virtual de informações dadas por “influencers”, com o propósito de aprimorar o senso crítico populacional, e então desenvolver a autoridade de escolha desses cidadãos. Assim, será possível reverter a tendência dominante e estabelecer o princípio critico necessário, também ausente em Black Mirror.