Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 26/10/2021
Segundo Yuval Harari, professor israelense de História e autor premiado, “humanos sempre foram muito melhores em criar ferramentas do que em usá-las sabiamente”. Sob tal ótica, os influenciadores digitais exercem um papel decisivo no uso das ferramentas digitais ao criar recomendações artificiais e promoverem um culto à aparência e posse. Dessa maneira, o que seria uma simples indicação, traz, na realidade, grandes campanhas publicitárias envoltas. Ademais, promove-se uma cultura de valor ao “ter” em relação ao “ser” nas mídias sociais.
Sob esse viés, é importante salientar que, os “digital influencers” (termo original no inglês), além de possuírem um grande apelo midiático e do público, são também “garoto(a)s propagandas” utilizados por grandes empresas para a promoção de seus produtos e maximização de seu alcance através deles. Desse modo, tem-se uma contextualização do que os filósofos da escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, chamaram de “indústria cultural”. Logo, o que seria apenas uma dica e sugestão de compra, devido ao gosto e utilidade de um produto é, na verdade, um campanha publicitária e forma de anúncio promovido pelo sistema capitalista através da imagem de celebridades digitais com grande número de seguidores, tornando-se incontestável o poder de influência deles em padrões de consumo.
Em adição, é válido destacar que, devido à expansão das redes sociais e o fenômeno dos influenciadores, o culto à posse, bem como a ostentação de artigos de marcas ganhou espaço. Segundo informado no documentário “O dilema das redes”, em um produto que o usuário não tenha que pagar para usar, como no Facebook e Instagram por exemplo, ele é a própria mercadoria a ser vendida. Por conseguinte, os dados pessoais como gostos pessoais, anseios consumistas e pesquisas realizadas, acabam sendo vendidos às marcas e promovidos por meio de “influencers” de modo a parecer orgânico, fomentando, então, o uso de uma marca “x” ou “y” como símbolo de “status quo” e sensação de pertencimento à causa ou grupo.
Portanto, são necessárias medidas que coloquem em pauta a problemática gerada pelos influenciadores no meio digital e seu poder nos hábitos de consumo. A fim de solucionar esse problema, cabe a sociedade civil organizada pressionar o poder legislativo a propor leis que visem a proteção dos dados do consumidor nos ambientes digitais, bem como a fiscalização do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, garantindo, assim, o direito à livre escolha em combate às práticas abusivas de propaganda e recomendação. Enfim, a partir dessas ações, os humanos além de criarem boas ferramentas, como propôs Harari, as utilizarão em vez de serem utilizados.