Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 19/11/2021
Segundo o filósofo alemão Theodor Adorno, o homem é influenciado por tudo o que vê e ouve. Tal premissa ilustra perfetitamente uma situação atual encontrada na realidade brasileira: pessoas, geralmente com grande quantidade de seguidores nas redes sociais, estão a influenciar os hábitos de consumo de outras, impactando diretamente nas tomadas de decisão dessas. Dentre essas implicações, destacam-se o estímulo ao consumismo e a desonestidade desses influenciadores digitais com os seus respectivos públicos.
Nesse contexto, cabe analisar, em primeiro lugar, como essa influência contribui para o aumento do consumismo no país. Seguindo esse viés, para o sociólogo e historiador Sérgio Buarque de Hollanda, o brasileiro age conforme a emoção. Isso é observado em operância pois, ao ver determinado produto ou serviço sendo promovido pelos influenciadores em suas redes sociais, muitos cidadãos não fazem uma reflexão crítica quanto a necessidade e a utilização desses bens e acabam por comprá-los no impulso, seja pela apelação carismática das propagandas seja pela supervalorização do produto e/ou serviço. Destarte, o consumismo é estimulado e, para o consumidor, pode trazer consequências, como o endividamento pessoal. Dessa forma, fica claro que o consumo em excesso é um desdobramento da influência digital e há de ser minorado.
Ademais, nota-se que, muitas vezes, esses profissionais desonestos com os seus seguidores. Sob essa ótica, ao colocar o lucro acima dos valores éticos e morais, muitos desses profissionais aceitam mentir e comercializar seus pontos de vista mediante a pagamentos e acordos previamente estabelecidos com as empresas patrocinadoras. Consequentemente, o público é enganado pela falta de compromisso com a verdade desses “influencers” e é manipulado por eles. Logo, urge que esses seguidores mudem de postura a fim de evitar tal conjuntura.
Portanto, constata-se que os influenciadores possuem capacidade de induzir comportamentos e formar opiniões. Para evitar o consumismo, cabe ao Ministério das Comunicações produzir campanhas de conscientização por meio da vinculação dessas nos principais meios de comunicação utilizados pelos brasileiros - as redes sociais e a mídia televisiva. Tais campanhas deverão ter a presença de sociólogos especializados no assunto e terão como finalidade desencorajar a prática e incentivar a reflexão dos consumidores em relação a manipulação de suas opiniões pelos influenciadores. Assim, os impactos negativos da influência digital serão minimizados.