Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 28/10/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa no cenário atual é o oposto do ideal difundido pelo autor, visto que influenciadores digitais causam impactos nas decisões de consumo dos civis. Nesse sentido, é lícito afirmar que a fácil manipulação dos cidadãos e a falta de informação contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Mormente, em decorrência das publicações feitas por influenciadores digitais nas suas redes sociais, promovendo marcas e lojas, seguidores sem conhecimento do assunto, tornam-se alienados e fáceis para manipulações, gerando, às vezes, problemas financeiros e consumismo. Conforme o levantamento da empresa Acordo Certo, em 2021, 32% dos indivíduos brasileiros mantiveram as finanças estáveis e 28% ficaram mais endividados que antes. Logo, as escolas e colégios emergem como um fator decisivo para combater esse cenário antagônico, dado que, ao formar civis mais autônomos e informados, o corpo social e o ambiente cibernético tornam-se mais seguros.

Além disso, é importante ressaltar que, devida à lacuna educacional na grade curricular dos cidadãos no que tange à educação financeira, corrobora, infelizmente, para formação de pessoas desinformadas, criando-se uma cultura do consumismo influenciado pelo sinônimo de “status” social. Tal fato se relaciona ao conceito abordado na obra “Ensaio sobre cegueira”, de José Saramago que expõe a cegueira moral, caracterizada pela alienação da sociedade frente às demais realidades sociais. Nesse sentindo, admite-se ao governo o dever dos civis saírem das instituições de ensino bem instruídos para gerenciar suas economias, assim, atenuará essa alienação e cegueira distópica do mundo digital.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Educação, através de verbas governamentais, implementar a educação financeira nas instituições de ensino e, por meio de palestras em praças públicas, escolas ou em redes de telecomunicações, orientar a população sobre os riscos da alienação nas redes sociais, informando-os de como ter uma vida financeira melhor. Desse modo, inibirá essa lacuna educacional e inadimplência no território nacional, formará cidadãos mais autônomos no cenário social e digital, enfim consolidará a “Utopia” de More na realidade vigente.