Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 10/11/2021
Os influenciadores digitais encontraram um terreno fértil para disseminar o consumo desenfreado e a qualquer custo: o povo brasileiro. Esse povo é permeado pelo famoso “jeitinho brasileiro”, explicado pelo estudioso Sérgio Buarque de Holanda como a forma de agir por impulso, e não com a razão, em razão das heranças dos antepassados. Desse modo, o marketing exercido pelos influencers é extremamente prejudicial, pois estimula o consumo exagerado em uma população, majoritariamente, sem educação financeira, que age com emoção e, depois, procura uma solução para os problemas instalados. Visto que essa prática traz malefícios à saúde financeira dos consumidores, medidas urgentes se fazem necessárias para minimizar os danos causados.
Em primeiro lugar, é necessário dizer que a propaganda de produtos nas redes sociais gera um consumismo extremado nos seguidores. Segundo o filósofo Schopenhauer, o homem é guiado por suas vontades, que se renovam assim que a vontade anterior é saciada. Assim, partindo do princípio que o homem é, naturalmente, insaciável, expô-lo a produtos e serviços comercializáveis provocará desejo intenso por esses bens. No entanto, isso viola a “mediania” proposta por Aristóteles, que deve ser o único meio de alcançar felicidade plena. Em suma, mesmo que o indivíduo tenha todas as suas vontades saciadas, sem equilíbrio, ele jamais atingirá a verdadeira alegria.
Em segunda análise, é importante ressaltar que a população brasileira não é ensinada a administrar bem os seus recursos. Prova disso é que, de acordo com dados do Serasa, uma empresa de análise de crédito, quase 30% do povo é inadimplente. Além disso, estudos da revista financeira InfoMoney revelam que, apenas 1% da população realizam investimentos financeiros, o que indica falta de hábito de investir e pouca disponibilidade de reservas na mão do consumidor. Logo, constitui-se uma covardia estimular o consumo em um público com pouca saúde financeira. Parafraseando o pensador Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Por enquanto, o Brasil está fazendo devedores.
Fica evidente, portanto, que a atuação dos influenciadores impacta os brasileiros negativamente, pois gera um consumo compulsivo e, consequentemente, um desequilíbrio financeiro. Para amenizar essa problemática, o Ministério da Educação (MEC) deve fomentar a educação financeira nas escolas, por meio de feiras didáticas e palestras, utilizando situações cotidianas, com o objetivo de oferecer um ensino lúdico e instruir os alunos sobre a importância das finanças, desde a primeira infância. Para tanto, o MEC deve premiar as escolas que adotarem essas medidas, como forma de reconhecimento do esforço empregado. Dessa maneira, mesmo com estímulos ao consumo, a população estará apta para administrar suas vontades e o “jeitinho brasileiro” poderá ser substituído por um consumo consciente.