Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 12/11/2021

Na obra literária “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, o protagonista de nome homônimo à obra se espelha na personalidade heroica dos personagens de romances de cavalaria medieval, o que culmina na repetição acrítica das ações irreais vistas na ficção. Fora deste universo lúdico, na contemporaneidade, ao analisar a projeção da influência de personalidades do contexto virtual nas decisões de consumo, constatam-se paralelos os impactos advindos dos livros de Dom Quixote e de influenciadores digitais, ou seja, a repetição de atitudes padronizadas de modo não autônomo. Por isso, graças à acriticidade e, consequentemente, à massificação da cultura, o quadro assola a coletividade.

Em primeiro plano, a ausência de autonomia nas decisões dos consumidores corrobora a conjuntura. Nesse sentido, Immanuel Kant, filósofo prussiano, discorre sobre o conceito de esclarecimento individual, no qual o ser humano não se resigna perante à menoridade imposta, isto é, utiliza a razão própria para se dissociar de convenções sociais e se vê não mais subordinado às orientações exteriores. Dessa forma, a partir do momento em que personalidades detêm grande influência sobre atitudes de consumo, usuários da rede são polarizados a fim de reproduzirem escolhas padronizadas, como comprar os vestuários mais socialmente aceitos, inconscientes de sua menoridade. Logo, devido à acriticidade individual, entidades digitais conduzem padrões de compra.

Por conseguinte, a massificação de costumes de consumo se evidencia danosa à coletividade. Nesse viés, Adorno e Horkheimer, sociólogos alemães, dissertam sobre a Indústria Cultural, termo que define como o mercado se apropria de elementos socioculturais, como filmes, e os ressignifica ao visar o lucro. Dessa maneira, no instante em que influenciadores digitais divulgam produtos altamente moldados para o consumo de massas, como peças de roupa similares e de fácil aceitação pelo público, a sociedade sofre um processo de homogeneização, ou seja, faz com que o meio social se torne um ambiente favorável à reprodução incessante de atitudes consumistas repetitivas. Assim, graças à alienação e à uniformização coletiva percebidas, são necessárias medidas interventivas.

Portanto, depreende-se que a questão da influência do meio digital sobre os consumidores é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, empresas midiáticas, como o Facebook e o Instagram, devem, por meio da imposição de limites à publicidade massiva que estimule o consumismo compulsivo, diminuir o alcance da propaganda apelativa por personalidades virtuais, a fim de atenuar a frequência de atitudes pautadas na acriticidade dos usuários, desse modo, fazer com que emerja a diversidade na sociedade e, por fim, impedir a homogeneização do pensamento pela polarização externa, como outrora experimentara Dom Quixote.