Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 17/11/2021
A era digital tem facilitado cada vez mais o consumo geral da população. A exemplo disso, é possível citar a ex-BBB Juliette Freire que, desde sua participação no “reality”, influencia o público-alvo a consumir produtos e informações, como a música de Chico César, que passou a ser conhecida nacionalmente depois da sua citação no programa. Com isso, surgem reflexões acerca dos impactos que os influenciadores digitais têm nas decisões de consumo das pessoas, o que pode gerar desafios como o consumismo exagerado, bem como a manipulação midiática por interesses financeiros.
Nesse cenário, é possível destacar primeiramente o consumismo exacerbado como impacto negativo gerado pela influência dos famosos no meio digital. Em consonância a isso, Platão define o amor (eros) como o desejo por aquilo que não se tem. Nesse sentido, o conceito de “sociedade do consumo” pode ser utilizado para designar a esfera social que se caracteriza pelo consumo massivo. Assim, percebe-se a suceptibilidade do público às publicidades apresentadas pelos influenciadores que, cada vez mais, anunciam diversos produtos às pessoas. A partir disso, os indivíduos se veem coagidos a adiquirir esses serviços sem, muitas vezes, refletir sobre a utilidade do item. Dessa forma, cria-se uma sociedade consumista, sem poder de escolha e extremamente influenciável.
Ademais, outra consequência da persuasão exercida pelos criadores de conteúdo pode ser vista na manipulação midiática em favor de interesses monetários. De acordo com Karl Marx, no capitalismo, os bens materiais são fetichizados ao ponto de assumirem qualidades além de sua materialidade. As coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas. Em vista disso, as empresas utilizam do poder de sugestão dos influenciadores para manipular o público a comprarem seus produtos, pois esses conseguem elevar os itens a níveis muitas vezes fora do padrão, tornando-os superestimados no mercado. Dessa maneira, visando o interesse financeiro, diversas empresas manipulam a população a consumir constantemente os seus conteúdos.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para assegurar a resolução do problema. Logo, cabe aos responsáveis pelos veículos digitais, como o Facebook, o Instagram e outros detentores de mídia, se responsabilizarem por garantir que os conteúdos tragam utilidade na apresentação de produtos, a fim de gerar consciência e poder de escolha, sem que os consumidores se sintam na obrigação de seguir as tendências do momento. Essa ação deve ser realizada por meio de filtros obrigatórios que alertem sobre a sua veracidade e real aplicação da mercadoria. Além disso, os influenciadores devem se submeter a conscientizar os seguidores a comprarem de acordo com as suas necessidades. Somente assim, o Brasil ultrapassará esse entrave.