Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 18/11/2021

Com o fenômeno da internet e o desenvolvimento de ferramentas cada vez mais completas de interação social, como é o caso das redes socias, há um impacto significativo nas decisões de consumo da população, sobretudo, devido à ação dos influenciadores digitais, o que tende a estimular o consumo inconsciente. Nesse viés, dois fatores devem ser analisados: a ausência de uma educação para o consumo e a espetacularização da vida.

A priori, é importante salientar o quanto a frágil educação para o consumo é algo preocupante para a sociedade. Isso ocorre porque, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada pelo ciclo vicioso de “desejo, consumo e descarte”. Nesse âmbito, a partir do momento em que um influenciador digital divulga um produto, a tendência é que boa parte das pessoas comprem o objeto, mesmo que este não seja realmente necessário para o indivíduo. Isto é, o problema não está no trabalho dos influenciadores, mas sim na ausência de educação relacionada ao consumo, o que favorece a consumo exacerbado e irresponsável.

Outrossim, a espetacularização da vida é mais uma problemática associada aos influenciadores digitais e ao consumo. Constata-se essa realidade por meio do que o escritor Guy Debord nomeia de “Sociedade do Espetáculo”, ou seja, as pessoas simulam a todo instante a melhor versão de si para serem “vistas”. Diante desse cenário, tendo em vista que os influenciadores expõem apenas o lado perfeito da vida, muitas pessoas tendem a atrelar o consumo a uma vida sem problemas. Isto é, para ser feliz é necessário ter o celular do influenciador X e a blusa da celebridade Y. Por conseguinte, não raro, fenômenos como ansiedade e depressão estão relacionados a influência desses estímulos na vida dos cidadãos, os quais sentem-se à margem da sociedade se não estiverem dentro do “espetáculo”.

É evidente, portanto, que medidas são necessárias para reduzir o impacto nas decisões de consumo, estimulado pelos influenciadores digitais. Para isso, cabe ao Ministério da Educação instituir, em todas as escolas, a disciplina “Consumo consciente”. Isso deve ser realizado por meio de aulas semanais, nas quais, com o intermédio de vídeos, seminários, gincanas e rodas de conversa, os professores devem debater com os alunos sobre “pegada ecológica”. Atrelado a isso, é essencial que os educadores discutam também sobre o impacto da espetacularização da vida na saúde mental e física das pessoas, a fim de que os cidadãos aprendam, desde a infância, que consumo não é sinônimo de felicidade e que este, quando feito de modo irresponsável, é prejudicial tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente.