Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 13/03/2022

O sociólogo Pierre Bourdieu afirma que “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica”. Entretanto, esse tópico não repercute com ênfase na prática ao se observar os malefícios do poder dos influenciadores digitais sobre padrões de consumo do jovem brasileiro. Dessa forma, faz-se imperiosa a análise dos fatores que contribuem para o caso, como a falha educacional e a desigualdade social.

Em primeira análise, nota-se que a ausência de medidas governamentais possui íntima relação com a insuficiência educacional. Nesse sentido, é visto que parte dos jovens brasileiros acabam sendo influenciados por falta de orientação escolar acerca do consumo juvenil, principalmente no que tange a produtos nocivos à saúde, como o cigarro eletrônico, que pode desencadear uma série de problemas respiratórios. Logo, essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não assegura o direito à educação como manda a Constituição Federal de 1988.

Outrossim, é importante citar a desigualdade social como uma problemática dos padrões de consumo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil está no ranking dos 10 paises mais desiguais do mundo. Nesse prisma, vê-se que a população menos favorecida economicamente não tem condições de acompanhar o consumo juvenil, o que pode colaborar para o surgimento de doenças mentais, a exemplo da depressão. Sendo assim, é imprenscindível a mudança desse quadro.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, faz-se necessário que o Governo Federal – órgão responsável por gerir e por organizar a sociedade – crie, por meio de políticas assistencionalistas, programas de auxílio e combate à pobreza, a fim de amenizar a desigualdade social no país. Concomitantemente, cabe ao Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação orientar e restringir o consumo de produtos prejudiciais à saúde. Fazendo isso, o Estado estará cumprindo o seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.