Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 07/05/2022

O “Charlotte Effect” é o termo utilizado para designar a influência da ainda infante princesa Charlotte nos mercados de moda ingleses: apenas uma aparição pública da menina com roupas específicas tem a capacidade de esgotar peças semelhantes. Efetivamente, na modernidade, esse tipo de influência tornou-se cada vez mais presente, essencialmente com o advento da internet. Nesse sentido, o impacto dos indivíduos detentores desse tipo de presença tem efeitos diretos sobre a maneira como as pessoas passam a consumir, seja pelo impulsionamento de padrões alienantes ou, antagonicamente, conscientizadores.

Em uma perspectiva inicial, é importante reconhecer a existência de uma lógica consumista no que diz respeito à atuação de influenciadores pagos para promover produtos, marcas e estilos de vida específicos. Sob essa ótica, o filósofo alemão H. Marcuse destaca a questão da “Sociedade do Consumo”, que defende que a modernidade alimenta ciclos materialistas perpetuadores de padrões alienantes no sentido de criar um “homem unidimensional”, que aceita acriticamente essa realidade. Em poucos termos, a ideia usual da ação “influencer” reverbera decisões de consumo de caráter irresponsável.

Ademais, contudo a alienação seja uma vertente presente nos padrões “influencers”, outra parcela desses indivíduos mostra-se preocupada com a sustentabilidade, em oposição à questão consumista. Nesse prisma, a ativista sueca G. Thunberg é um exemplo de influenciadora comprometida com a reforma dos hábitos de consumo das sociedades pela diminuição do uso de plásticos e poluentes para a remediação do insustentável. Sumariamente, os influenciadores também podem exercer impactos positivos nos padrões de consumo.

Desse modo, é imprescindível combater os impactos negativos desse viés. Portanto, cabe ao Ministério da Tecnologia (MCTI) - principal responsável pelo intermédio de medidas no meio digital -, por meio de um projeto interativo nas redes sociais, em colaboração com influencers brasileiros relevantes, produzir uma rede de diálogo que conscientize os internautas a respeito de ciclos de consumo viciosos e a reflexão acerca do fenômeno. Assim, será possível amparar a superação dessas más lógicas de influência virtual no país.