Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo
Enviada em 11/05/2022
O filme “O Show de Truman” inovou ao trazer a ideia de que um cidadão comum fizesse publicidade por meio do seu consumo cotidiano de produtos. Similarmente à ficção, os influenciadores digitais propiciam o mesmo ao utilizarem mercadorias e imporem um padrão social vinculado à compra, criando, nos interlocutores, a necessidade de consumo. Nesse contexto, torna-se essencial a análise de dois fatores relacionados ao tema: a capacidade de convencimento desses profissionais e o despreparo da população para lidar com a mídia.
Sob esse viés, destaca-se que as formas como são feitas as propagandas conquistam cada dia mais compradores. Na Grécia Antiga, os sofistas eram conhecidos por suas capacidades de argumentar e dissuadir os individuos, independentemente da veracidade dos argumentos. Da mesma maneira, a publicidade contemporânea utiliza meios diversos para convencer, com a finalidade de criar a necessidade de ter. Assim como defendido no documentário “The century of the self”, a propaganda se embasa na psicanálise de Freud, a fim de identificar os pontos fracos do público e estimular a venda de algo que supra essa fraqueza. Assim, as estratégias usadas pelo capitalismo voraz e pelos influenciadores são cada vez mais eficazes.
Além disso, a sociedade não é educada para lidar criticamente com o status propagado pelos influenciadores. De acordo com o filósofo Montaigne, a educação deve formar indivíduos questionadores. Lastimavelmente, isso não ocorre no ensino brasileiro, visto que as pessoas se tornam constantemente reféns ao buscarem ser o ideal de ser humano padronizado e exibido na internet, o que contribui para o sucesso do modo de produção capitalista.
Portanto, para que as pessoas não sejam manipuladas pelo conteúdo exposto na mídia, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei a ser encaminhado à Câmara dos Deputados, exija a criação de uma disciplina intitulada “Educação para as Mídias”. Tal disciplina estimulará debates sobre o poder desse veículo e do capital na contrução e subjetivação do indivíduo. Dessa forma, possibilitando que os cidadãos decidam com mais consciência sobre o consumo, mesmo que as técnicas de perssuassão sejam sofisticadas.