Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 30/05/2022

Analisando a obra “Utopia”, do inglês Thomas More, este descreve um corpo social perfeito, no qual seus cidadãos levam uma vida ausente de empecilhos. Entretanto, é fato que a realidade atual não condiz com o enredo proposto pelo autor, pois é notório o impacto negativo causado pelos influenciadores digitais nas decisões de consumo de seus seguidores. Conclui-se, então, que a realidade ilusória transmitida por esses “influencers” e a interferência consumista motivada por seus patrocinadores intensificam tal problemática.

Diante desse cenário, influenciadores digitais conquistam credibilidade através de patrocínios de grandes marcas, após consolidação na Internet. Deste modo, possuem a função de persuadir seus seguidores a fim de que estes sigam suas recomendações, assim, as decisões de consumo sofrem interferência direta pelo ideal capitalista que move tais patrocinadores. Logo, segundo o sociólogo alemão Theodor Adorno, há uma padronização do comportamento humano, cujo senso crítico é negligenciado pela alienação proposta pela influência digital.

Outrossim, conforme o conceito de “virtualidade do mundo aparente”, criado por Jean Baudrillard, filósofo francês, “o consumo tornou-se a moral da sociedade contemporânea”, que é movida pela avidez do prestígio social. Assim, os influenciadores, por consequência do consumismo exorbitante, alinham-se com o pressuposto do ter em razão do ser, consoante às ideias de Baudrillard, além de passar a sensação ilusória de que fama, luxo e sucesso material são os grandes responsáveis pela vida perfeita. Sendo assim, seu público-alvo só atingirá a felicidade caso siga suas dicas e compre os produtos por eles indicados.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pela educação do sistema nacional, incluindo a tecnológica, promova propagandas e programas digitais nas escolas por meio de parcerias público-privadas com empresas responsáveis. Logo, o objetivo de tais ações possui a finalidade de conscientizar os cidadãos sobre o impacto direto que os “influencers” têm no estilo de vida social, tanto no consumo excessivo, quanto na criação de padrões de vida ilusórios. Com isso, o Brasil aproxima-se da coletividade ideal descrita por Thomas More em sua obra pois certamente haverá a diminuição do consumo exagerado.