Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 03/09/2022

Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas.Entretanto, a realidade brasileira é oposta ao que o autor prega, uma vez que os influenciadores digitais impactam negativamente nas decisões de consumo da sociedade contemporânea. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de uma grave problemática, em virtude da negligência estatal e da manipulação midiática.

Em primeira análise, cabe destacar a escassez de medidas por parte do governo para combater a repercussão negativa dos influenciadores digitais nas relações de consumo. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Contudo, isso não ocorre devido à falta de políticas públicas que monitorem as redes sociais, com o objetivo de minimizar o consumismo, como também os efeitos causados pelos influenciadores digitais nas decisões de compra da população. Consequentemente,essa baixa atuação das autoridades viabiliza o aumento do consumo exagerado, visto que os influenciadores moldam o comportamento e as atitudes das pessoas para adquirir determinados produtos e serviços sem que haja a necessidade de obtê-los. Logo,é inaceitável que o problema persista por causa do descaso governamental.

Ademais, a manipulação midiática é outro empecilho para a alteração do cenário. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu,o que foi criado como mecanismo de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Todavia, a mídia, dispositivo de democracia , foi transformada em instrumento de opressão, já que os influenciadores interferem diretamente nas decisões de consumo, idealizando uma vida perfeita com o uso de um produto ou serviço, omitindo a realidade dos consumidores. Assim, a dificuldade de atenuar o consumismo exacerbado da população se deve à manipulação dos influencers que priorizam os bens materiais, impactando e refletindo isso, com propagandas enganosas, na sociedade brasileira.

Fica exposta, portanto, a necessidade de medidas para atenuar os impactos nas decisões de consumo causada pelos influenciadores digitais. Cabe ao Ministério da Economia, enquanto responsável pelas diretrizes econômicas do país, investir na criação de projetos que ampliem o monitoramento das redes sociais com foco nas propagandas enganosas divulgadas pelos influenciadores digitais, por meio de políticas públicas, a fim de minimizar os impactos do consumismo provocados pelos influencers. Dessa maneira, a coletividade alcançará a Utopia de More.