Influenciadores digitais e seu impacto nas decisões de consumo

Enviada em 08/07/2025

A série da Netflix “Vinagre de Maçã”, baseada em um caso real, retrata a vida de uma influencer que enganou milhares de seguidores ao fingir ter câncer. A obra evidencia um cenário semelhante ao brasileiro, no qual cresce a influência de celebridades digitais. Como demonstrado na narrativa, esse poder pode ser usado de forma ética ou irresponsável, o que gera desafios. Nesse sentido, dois entraves se destacam: a ineficiência das políticas públicas e as falhas educacionais.

Em primeiro lugar, políticas frágeis mantêm a internet como um espaço “sem lei”, onde ações enganosas têm poucas consequências. Exemplo disso são influenciadores que promovem ostentação por meio de manipulação. Diante disso, é necessário regulamentar a publicidade online, exigindo que conteúdos pagos sejam sinalizados. Sob esse viés, Carlos Rodrigues Brandão aponta que a invisibilidade de pautas sociais decorre da priorização de interesses hegemônicos. Logo, a ausência de regulamentação alimenta a apatia coletiva e a inércia política.

Além disso, a precariedade educacional agrava o problema ao impedir o desenvolvimento do pensamento crítico. Sob esse viés, o educador Muniz Sodré defende que a educação deve sensibilizar o indivíduo para as complexidades sociais; no entanto, a falta de debate sobre o consumo digital perpetua a desinformação. Logo, currículos que ignoram ou tratam o assunto de maneira superficial contribuem para a formação de sujeitos facilmente manipuláveis. Assim, urge reestruturar o ensino como instrumento de emancipação intelectual e ética, capaz de formar indivíduos reflexivos e críticos.

Portanto, é urgente que o Estado implemente o programa “Publicidade Consciente”, com foco em regulamentar e tornar mais transparentes as ações publicitárias de influenciadores. Ao mesmo tempo, cabe ao Ministério da Educação reformular a BNCC, incorporando de forma transversal o debate crítico sobre redes sociais e consumo digital. Para tanto, deve-se investir em formação docente continuada, atualização de materiais didáticos e até na criação de uma disciplina como “Sociedade e Tecnologia”, voltada à alfabetização digital crítica. Assim, constrói-se um caminho efetivo rumo a uma sociedade mais ética, informada e comprometida com um consumo digital responsável.