Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 20/09/2019
Na África do Sul, Nelson Mandela foi responsável por lutar contra a política do Apartheid, um regime segregacionista que separava o espaço público entre brancos e negros. Tal fato é apenas um exemplo que reflete a sociedade atual, na qual os discursos de ódio estão enraizados, sobretudo sobre minorias. Logo, é preciso analisar as possíveis causas do impasse, que englobam o exacerbado individualismo das relações atuais, atrelado ao descontrole dos limites pessoais para a liberdade de expressão.
Em primeiro plano, vale destacar que o superficialismo das relações humanas ocasiona uma crescente onda de perda de empatia na sociedade. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, as pessoas encontram-se englobadas em uma Modernidade Líquida, caracterizada por relacionamentos supérfluos e facilmente substituíveis. Assim sendo, a superficialidade afetiva ocasiona uma falta de empatia, afinal, as pessoas tornam-se descartáveis, fato este que consolida os discursos contra minorias, escassos de responsabilidade por parte dos intolerantes.
Outrossim, a falta de repressão aos discursos de ódio durante a formação do indivíduo contribui para a naturalização de tais atos. Tomando como base a teoria do médico Freud, o ser humano faz projeções no outro, que são na verdade reflexos inconscientes de questões interiores mal resolvidas. Durante a juventude, muitos pais ou até mesmo autoridades escolares não reprimem atitudes racistas, homofóbicas ou misóginas cometidas pelas crianças, que naturalizam esse padrão e o repetem quando adultos. Logo, impõem ao próximo suas visões de mundo, o que rompe com o limite para a expressão e desqualifica classes que possuem em comum características alvos de ataques, haja vista, por exemplo, comentários racistas realizados contra a jornalista Maju Trindade, que atingiram todos os negros.
Com base nessa perspectiva, é notório que medidas são necessárias para mitigar os discursos de ódio contra minorias. Primeiramente, é preciso que a Escola, através de atividades interativas como o Programa Semente, responsável por uma educação socioemocional, possa instigar a empatia nos jovens cidadãos, através de depoimentos de minorias expostos e discutidos em ambiente escolar, a fim de evitar a intolerância e reprimi-la caso aconteça. Além disso, é necessário que o Poder Legislativo elabore uma emenda constitucional que permita a penalização efetiva por ataques de ódio, inclusive virtualmente, a fim de inibir as consequências da projeção freudiana e contribuir para a formação de uma sociedade mais empática, divergindo da Modernidade Líquida de Bauman.