Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 12/06/2019

O marco histórico da Alemanha Nazista foi diretamente ligado ao discurso de ódio propagado por Hitler, que reuniu milhões de pessoas em campos de concentração, dentre elas, grupos como judeus e homossexuais, minorias da sociedade. Entretanto, no cenário vigente, o discurso raivoso perante a grupos como esses ainda se perpetuam, e em muitas ocasiões, é confundido e difundido como liberdade de expressão.

Em primeiro plano, vale conceituar que minoria é todo conjunto de pessoas que possui baixo poder político, direitos preteridos e ausência de posse de igualdade de condição na sociedade, como negros, mulheres, lgbtqi’s e indígenas. Portanto, comunidades como essas sofrem cotidianamente com as consequências, que acontecem de diversas formas, como por exemplo o caso em que um torcedor jogou uma banana em Daniel Alves, durante uma partida de futebol, comparando-o com o macaco, em decorrência de o jogador ser negro. Além disso, a deslegitimação do diferente é também muito comum no meio virtual, onde acontece o preconceito, que pode tomar proporções gigantes, como o aumento no número de suicídios, que de acordo com a OMS, ocorre a cada 40 segundos.

Por segundo, constata-se também que muitos utilizam do direito de liberdade de expressão assegurado pela Constituição Federal para intensificar atitudes intolerantes, contudo, essa é feita de maneira distorcida, pois segundo a Constituição, é direito de todos expressarem suas ideias e posicionamentos, desde que essa não interfira no direito legítimo de terceiros. Logo, parafraseando a citação de Bauman em Modernidade Líquida, todos nós somos responsáveis pelo outro, estando cientes disso ou não, de forma positiva ou contrária, o que significativamente quebra o conceito enraizado no qual a opinião singular pode ser dita de modo espontâneo, na qual torna notório que quando essa ocorre, reflete diretamente no outro, e quando é feita de maneira danosa, afeta a vítima negativamente e pode acarretar em problemas psicológicos, isolamento social, entre outros.

Destarte, urge que o Estado tome providências para dizimar os discursos violentos e intolerantes. Para  conscientização dos executores de ações como essas, é mister que o Ministério da Justiça juntamente com o Ministério dos Direitos Humanos, condene de forma efetiva os praticante de tais austeridades, por meio de penas mais rigorosas e duradouras, além disso conscientize a população por meio de campanhas publicitárias que exteriorizem a importância de aceitar o diferente e as consequências positivas de uma sociedade diversa, enfatizando ao interlocutor a necessidade de haver respeito, coerência e empatia, visto que, somente assim, será possível a sociedade se tornar um lugar seguro e acolhedor para todos.