Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 16/06/2019

A série nacional “coisa mais linda” tem como espaço o Rio de Janeiro nos anos 50 e é marcada pelas relações sociais, que são evidenciadas pelo racismo, machismo, patriarcalismo e entre outras interações baseadas na intolerância e discriminação contra um grupo, em situação de desvantagem social: as minorias. Com efeito, é necessária a análise, a partir de fatores históricos e dos meios de comunicação de massa, de como o ódio contra as minorias sociais afeta a sociedade, ainda nos dias atuais, e caminhos para reverter esse alarmante.

Em primeiro plano, ressalta-se como o discurso de ódio foi enraizado durante a história da sociedade. Sendo assim, parte-se do pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu de que as estruturas sociais, nesse caso de intolerância a um determinado grupo social, durante o processo de socialização são impostas e incorporadas pelo indivíduo que as naturalizam e perpetuam ao longo das gerações. Nesse viés, tal processo é perceptível em períodos históricos como o Nazismo, na Alemanha, em que o próprio Estado estimulava a incorporação dessas estruturas, marcadas pelo ódio, contra, principalmente, os judeus e os negros. Nesse sentido, torna-se árdua a mudança desse cenário, já que, durante anos, era permitida a discriminação contra tais pessoas.

Paralelo a isso, hodiernamente, é notório o papel dos meios de comunicação de massa como fundamental no molde dos ideais de uma sociedade, muitas das vezes, baseadas no preconceito. Visto que, na obra, de George Orwell, “1984” é retratado um futuro distópico em que o Estado manipula os meios de comunicação de acordo com seus interesses. Dessa maneira, fora da ficção, acontece de forma semelhante a manipulação midiática, a partir da ótica do manipulador, como exemplo, a divulgação de “fake news” que, com frequência, destila o ódio contra uma minoria social.

Portanto, nota-se como a partir da história em conjunto com os meios de comunicação são onipresentes as intolerâncias e ódio contra as minorias. Logo, o Ministério da Educação e Cultura deve reverter os ideais das estruturas marcadas pelo ódio, a partir de uma educação, de fato, critica, libertadora e tolerante, já defendida por Paulo Freire, com palestras, materiais didáticos e aulas multidisciplinares, a fim de que, não só os alunos, mas também quem está em sua volta, se engajem contra as raízes do preconceito que atingem as minorias sociais. Na perspectiva de alterar as lembranças das relações de “coisa mais linda”.