Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 14/06/2019

Na Roma Antiga o sacrifício de crianças que apresentassem deficiências físicas ou mentais era uma prática considerada comum, assim como no século XX, o movimento nazista dizimou milhões de judeus com a justificativa de que eles eram serem inferiores. Dessa forma, é possível afirmar que a intolerância e o discurso de ódio contra minorias não são questões atuais, mas uma problemática que persiste devido às influências familiares e midiáticas.

A priori, a influência familiar é um fator que favorece a persistência das vicissitudes supracitadas em nossa sociedade. Conforme afirmou Imannuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. De maneira análoga ao pensamento do filósofo e tendo em vista que a instituição familiar exerce extrema influência sobre a personalidade de um indivíduo, uma criança que cresce em um ambiente no qual os próprios pais tratam com normalidade piadas pejorativas contra certas minorias sociais – como homossexuais, negros, mulheres e etc. – irá absorver e disseminar esses discursos de ódio disfarçados de brincadeiras para seus amigos e, posteriormente, aos seus filhos. Desse modo, a intolerância tende a permanecer enraizada em nossa sociedade.

Ademais, a mídia tem importante participação na persistência das problemáticas no mundo. Fatos sociais, de acordo com Émile Durkheim, são modos de agir, pensar e sentir impostos pela sociedade sobre os indivíduos. Em concordância com o sociólogo, os comportamentos divulgados pelas mídias tradicionais – como rádio e televisão – podem ser classificados como fatos sociais, uma vez que eles são gerais, exteriores e coercitivos. Dessa forma, o modo pejorativo como os homossexuais, as religiões afro-brasileiras e o islamismo, por exemplo, são tratados nos mais diversos programas humorísticos e nas novelas que são vistas por crianças, jovens, adultos e idosos diariamente passam a ser vistos como normais, embora sejam um ato público de desrespeito às mais diversas minorias.

Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o Ministério da Educação forneça subsídios para que as escolas de ensino fundamental e médio possam realizar mesas redondas que contem com a participação de representantes das mais diversas minorias sociais e profissionais das áreas de psicologia e pedagogia, além da participação dos familiares, a fim de que ocorram debates visando à desconstrução das diversas intolerâncias plantadas em nosso vocabulário e mesmo em certas “brincadeiras”, pois, de acordo com a escritora Helen Keller, o resultado mais sublime da educação é a tolerância.