Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 17/06/2019

Política do “apartheid” na África do Sul. Extermínio dos judeus na Alemanha nazista. Exclusão das mulheres na democracia ateniense. É indubitável que o mundo foi palco de diversas segregações ao longo da história, sejam elas relacionadas à religião, à raça ou ao gênero. No contexto brasileiro, a realidade não foi diferente: estendeu-se desde o período colonial até a modernidade. É fato inconteste que as causas das segregações, no Brasil, dão-se devido à cultura da intolerância e à ineficácia das políticas de democratização.

Primeiramente, o fato é que, no Brasil, são muitos os trapiches abandonados, vizinhos de condomínios luxuosos na cidade alta, são muitos Fabianos batalhando na seca contra seus patrões, são muitas as discriminações para negro, pobre, LGBT ou mulher. Essas diferentes desigualdades têm suas raízes na sociedade segregacionista e patriarcal que é este continente desde a chegada dos portugueses. Os colonos isolaram politicamente os mestiços, depois os coronéis manipularam seus clientes e, então, expulsaram os pobres para as favelas e enriqueceram-se com a indústria e a mais valia.

Outrossim, as desigualdades que existem no país também são, inquestionavelmente, sustentadas pela insuficiência das políticas de democratização. De que adiantam as cotas raciais, que visam à inclusão do negro na sociedade, se, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os brasileiros ainda possuem o terceiro maior índice de evasão escolar? De que adianta o Bolsa Família, que visa à inclusão social dos menos abastados, se não há políticas para tornar o beneficiário independente desse auxílio? É indiscutível, portanto, que, enquanto não houver estímulos “antissegregacionistas” realmente eficazes, a realidade brasileira dificilmente será transformada.

Portanto, enquanto houver o discurso da intolerância e do ódio enraizados na sociedade e políticas públicas que contribuem para esse fato, a desigualdade perpetuará. A fim de promover uma mudança nos hábitos sociais nesse cenário brasileiro, cabe ao Poder Legislativo oferecer uma reforma nas leis vigentes, além de implementá-las de forma à ampliar direitos e melhorias à longo prazo, visando moldar a estrutura social igualmente e, com o apoio de ONGs que tenham experiência comprovada nesse campo social, promover orientações aos grupos, por meio de campanhas e oficinas sociais que venham permitir uma maior inclusão dos indivíduos e, também, desconstruir discursos conservadores e patriarcais.