Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 14/06/2019
Immanuel Kant, importante filósofo iluminista, defendia que um indivíduo deve agir de forma que sua ação possa tornar-se uma lei universal e que preserve a dignidade humana. Entretanto, paradoxalmente ao cenário defendido pelo pensador, observa-se, na atual sociedade, uma incompatibilidade entre persistência da intolerância e discurso de ódio contra minorias sociais e preservação da integridade do homem. Dessa forma, é necessário que o Estado, aliado com a educação, tome medidas que visem a redução dessas ações.
Em primeiro plano, cabe analisar que tal problemática está enraizada na cultura humana, visto que inúmeros relatos históricos relatam a discriminação de minorias. Faz-se importante citar alguns exemplos, tais como: as mulheres como seres subjugadas aos homens durante um longo período; a colonização portuguesa no Brasil, que definia os indígenas e os africanos como povos inferiores em relação ao europeu; o nazismo e as pregações antissemitas; as violências sofridas pelo grupo social LGBT.
Desse contexto, depreendem-se consequências no âmbito social, tais como a violação do Artigo III da Declaração dos Direitos Humanos - que garante o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal -, visto que as minorias são alvos de discursos intolerantes e de ódio que se disseminam rapidamente, o que resulta, de modo mais amplo, na degradação da dignidade humana.
Evidenciam-se, portanto, a necessidade de ações promotoras de transformações coletivas. Para tanto, o Estado, como gestor administrativo, deve ratificar o direito garantido pela Declaração dos Direitos Humanos por meio da criação de programas de denúncias, podendo ser de forma online e presencial, fazendo com que as minorias sociais se sintam amparadas pelo poder estatal e alcancem a equidade com os demais indivíduos. Além disso, é imprescindível que escolas e associações de bairro promovam campanhas e palestras públicas que visem a inclusão das minorias na sociedade. Somente assim, a reflexão proposta por Kant conseguirá preservar a dignidade humana.