Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 14/06/2019
O exercício da cidadania deveria estar pautado na busca por direitos e no bem-estar coletivo, o que pressupõe tolerância e respeito para com as minorias. No entanto, fruto das relações historicamente constituídas, a intolerância e o discurso de ódio contra minorias, sobretudo negros, mulheres e LGBTs, têm se perpetuado, gerando inconvenientes, como a própria violência. Esse processo é reforçado pelo modo como o ensino é conduzido no Brasil e pela falta de ação efetiva do governo.
A princípio, as marcas históricas de uma sociedade patriarcal, branca e heteronormativa são reforçadas pela educação. Essa, funcionando como um sistema de seleção empresarial, é responsável por afastar-se de sua responsabilidade de formar indivíduos tolerantes e preocupados com a coletividade. Consequência direta dessa inversão do papel educacional é a preservação dos preconceitos que motivam os discursos de ódio e, até mesmo, a violência contra as minorias. Prova clara disso é que, conforme dados da CPI, a cada 23 minutos, um negro é assassinado no Brasil. Assim, uma forma de minimizar esse processo seria investir em uma educação ética e transformadora da realidade coletiva, como acreditava Paulo Freire.
A posteriori, somado a essa precariedade do sistema educacional, o governo, embora detenha de amparos legais para combater as intolerâncias, não tem se mostrado eficiente em implantá-os. Isso se dá, principalmente, devido à onda conservadora que vem atingindo os atuais governos, a qual tem dado ainda mais voz aos discursos de ódio. Dessa forma, o machismo, o racismo e a homofobia são partes do cotidiano brasileiro e geram problemas, como o genocídio da juventude negra. Por isso, tem razão Gilberto Dimenstein ao afirmar que a Constituição prevê muitas coisas, mas nem todas são implementadas, a exemplo da igualdade de direitos para todos que é posta à prova devido à intolerância contra mulheres, negros e LGBTs.
Portanto, a fim de erradicar a intolerância e os discursos de ódio, faz-se necessário que o MEC, órgão responsável pelo planejamento educacional, promova, por meio da pedagogia da sensibilidade, um ensino ético e transformador da realidade coletiva, que possibilite a formação de indivíduos mais tolerantes. Ademais, o governo deve, por intermédio de políticas públicas, fiscalizar o cumprimento dos direitos, possibilitando o combate às ações discriminatórias. Destarte, poderia haver tolerância e o pleno exercício da cidadania.