Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 15/06/2019

Elaborado pelos iluministas, o lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” ecoou por todo o Ocidente. Contudo, no que tange à fraternidade, ainda há na sociedade uma disparidade no tratamento a alguns grupos sociais, impossibilitando a vigência dessa bela palavra. Nesse contexto, convém analisar as motivações da intolerância e do discurso de ódio contra minorias e como isso afeta a população.

Inicialmente, é válido ressaltar que as atitudes humanas estão intimamente ligadas às suas crenças. Como mencionado no livro Inteligência Emocional de Daniel Goleman, as pessoas internalizam aquilo que lhes foi ensinado desde a primeira infância, reproduzindo atos de intolerância e ódio sem ter o real conhecimento e controle de suas emoções. Nesse sentido, percebe-se que a existência desses negligentes sentimentos provém de um concepção familiar passado de geração a geração por meio da criação dos filhos. Além disso, há o infeliz contexto histórico-social em que determinados grupos tornaram-se minoritários pelos sofrimentos de seus antepassados, como afrodescendentes e mulheres, que durante centenas de anos foram subjugados. Visto isso, fica claro o quanto a intolerância e o discurso de ódio devem ser combatidos.

Esse combate precisa ocorrer para sanar as consequências negativas geradas por eles, dado que tais atitudes atingem não apenas as minorias, mas a sociedade de forma geral. Nessa perspectiva, é cabível analisar os estudos do sociólogo Durkheim sobre os fatos sociais, em que ele ressalta a influência do corpo social sobre a individualidade, de modo que, havendo grupos que se sobrepõem a outros, todas as pessoas são atingidas por essa discrepância comportamental. Posto que, se há intolerância de uns contra os outros, a harmônia social deixa de existir, outrossim, se há discurso de ódio, mais atos violentos ficam suscetíveis a ocorrer. Logo, é descabível aceitar a permanência de sentimentos tão corruptos quanto esses.

Portanto, para promover transformações nesse quadro social, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Educação, reforce a presença de matérias como Sociologia e Filosofia na grade curricular das escolas, acrescentando tais áreas do conhecimento no Ensino Fundamental para que os estudantes tenham acesso a conhecimentos sobre a diversidade social e aprendam a questionar conceitos familiares deturpados. Assim, o grande lema iluminista começará a se consolidar na atual sociedade.