Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 14/06/2019

Divergência discriminada

O pensamento de Zygmunt Bauman: “Os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar”; propõe que o surgimento de novas tecnologias e a globalização, contribuíram para a perda da ideia de controle sobre os processos do mundo, tendo em vista que revela incertezas quanto a nossa capacidade de nos adequar aos novos padrões sociais, que se liquefazem e mudam constantemente. Assim, o nocivo discurso de ódio revela suas raízes na mídia sem limites e, ainda impede o convívio social - uma brutalidade, incoerentemente, (oni) presente.

A priori, a recorrência de episódios de intolerância, no Brasil e no mundo, a questão que emerge simboliza o papel potencializador das novas tecnologias de comunicação, sobretudo das mídias sociais, na visibilidade e na repercussão desses fatos. Nesse sentido, o racismo também destaca-se nas redes brasileiras, com 17.026 menções, sendo 97,6% negativas, de acordo com a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos. Casos recentes de ataques a celebridades negras geraram impactos na sociedade, como ocorreu com a apresentadora do Jornal Nacional Maria Júlia Coutinho e a atriz Taís Araújo, xingadas na internet devido à cor de suas peles. Diante da proteção do anonimato, muitos agressores criam perfis falsos para deixar comentários de cunho racista nas redes sociais, de modo que prolifera um terreno fértil para incitações de ódio.

Sob esse prisma, psicólogos apontam que a incapacidade de convívio com o diferente, reflete quando as pessoas adotam um determinado posicionamento ao não reconhecer o outro como um semelhante, assim, ele se torna uma ameaça, que se converte em ódio. Dessa forma, o indivíduo tenta legitimar a violência àqueles que não compartilham os mesmos valores culturais e sociais. Nesse contexto, conforme ensinava o filósofo Santo Agostinho “par a par com a liberdade anda a responsabilidade”, visto que a autonomia comunicativa serve para que os homens através da troca de ideias, possam mutuamente enriquecer-se e encontrar a verdade.

Infere-se, pois, que o execrável discurso de ódio conclama políticas públicas ativas. Dessa forma, o Ministério Público, juntamente com o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, precisa aumentar a fiscalização, por meio de operações virtuais, a fim de punir os ameaçadores de violência. E, o Ministério da Educação, proporcionar palestras didáticos pedagógicas, nas escolas, sobre a diversidade e reafirmar os valores na troca de diferentes culturas, para que as crianças e adolescentes possam desenvolver a convivência social. Logo, o líquido da discriminação será diluído.