Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 15/06/2019

Émile Durkheim disseminou um pensamento segundo o qual a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos os seus componentes devem viver em harmonia para que seja possível alcançar o equilíbrio geral. Sob esta ótica, é possível mencionar que o corpo social brasileiro caminha lentamente para atingir esse equilíbrio, tendo em vista que, entre as diversas barreiras enfrentadas pela sociedade, a questão da intolerância é uma das mais significativas. Nesse viés, não há duvidas de que essa forma de arrogância humana é um desafio no âmbito social do país, o qual ocorre principalmente devido a uma sociedade padronizada e segregacionista, além de estar diretamente relacionada ao discurso de ódio contra as minorias.

De fato, a padronização da sociedade contemporânea é um fator que contribui para a disseminação da intolerância, visto que obtêm como produto final a segregação das relações sociais. Nesse contexto, os padrões impostos pela sociedade moderna afetam diretamente a vida de indivíduos que ultrapassam paradigmas se opondo aos ideais de protótipos perfeitos dos impositores. Assim, esse ato de se opor ao que é imposto causa um descontentamento por parte dos padronizados, que para massagear o seu ego etnocêntrico usa a “arma da ignorância” para disseminar o preconceito e a discriminação, desequilibrando a ordem social.

Além disso, cabe salientar que o discurso de ódio também é um fator contribuinte para a intolerância acontecer. Por analogia, o filósofo político Thomas Hobbes, em seus estudos sobre o estado de natureza humano, afirmou através da assertiva “o homem é lobo do próprio homem” que as relações sociais estão em constante guerra, tendo o ódio e a falta de respeito como princípios dominantes, afirmando ainda que a única solução seria a intervenção do Estado. Entretanto, percebe-se que essa intervenção estatal não está conseguindo frear o discurso de ódio, pois, embora a Constituição Federal assegure os direitos à liberdade de expressão e à liberdade de escolha, a lei nada mais está do que teorizada, visto que sua prática é pouco visível e quando pode-se perceber é reprimida por maiorias.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Governo fazer valer severamente a lei que assegura os diretos à liberdade de expressão e de escolha, punindo com prisões os praticantes de atitudes intolerantes, com o objetivo de diminuir o avanço do preconceito e da discriminação. Ademais, compete às escolas, em parceria com o Ministério da Educação, instituir na grade curricular das matérias ética e sociologia um capítulo exclusivo para tratar de assuntos referentes à intolerância, em especial ao discurso de ódio, com a finalidade de induzir o alunado ao pensamento crítico acerca das diferenças, enfatizando o respeito.