Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 16/06/2019
A dificuldade em aceitar o diferente não é um fenômeno recente, a crença na superioridade racial branca durante o período da colonização motivou a escravidão de negros e indígenas e submeteu civilizações à práticas imperialistas de desaculturação. Hodiernamente, o discurso de ódio, originado da intolerância, incita a violência a partir de condutas que ferem a dignidade humana e se acentua através do isolamento de opiniões e do mau uso do direito de liberdade de expressão.
Nesse contexto, entende-se como fato social a maneira coletiva de agir e pensar o que leva a interiorização de padrões que serão passados ara cada nova geração. Por conseguinte, a existência de um pensamento ou comportamento enraizado colabora com o desinteresse em ouvir pontos de vista divergentes, colocando o indivíduo em uma ‘‘bolha’’ na qual somente determinadas concepções são corretas. Dessa forma, o não semelhante é segregado e visto como uma ameaça por não se enquadrar nos modelos tidos como certos de cor, raça, orientação sexual, religião, ou quaisquer outros.
Outrossim, o discurso de ódio ocorre quando o indivíduo utiliza o seu direito de liberdade de expressão para discriminar ou inferiorizar o outro que muitas vezes está em desvantagem social. No entanto, esse direito não é absoluto, pois possui limites para proteção do bem de todos já que a Constituição Federal penaliza a prática, indução ou incitação de discriminação com reclusão de um a três anos e multa. Logo, ainda que seja livre a liberdade de pensamento, o Estado deve e pode atuar sobre a sua exteriorização reprimindo condutas intolerantes.
Destarte, é evidente a necessidade de combater a intolerância e suas formas de manifestação. Para isso, uma solução seria uma atuação em conjunto do Estado e a escola através da capacitação de educadores para abordarem tais temas de maneira lúdica com debates e palestras a fim de formar cidadãos conscientes e justos para lidarem com diferenças sociais de maneira salutar.