Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 16/06/2019

Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu que o acesso aos direitos básicos deveria ser garantido a todos. Entretanto, a intolerância e o discurso de ódio contra as minorias sociais mostra que a promessa de Guimarães está distante de ser a realidade no Brasil. Com efeito, há de se combater os efeitos nocivos de uma crença na meritocracia e da cultura de hostilidade.

Em primeira análise, a observação meritocrática da sociedade fragiliza o desenvolvimento nacional. A esse respeito, o filósofo Adam Smith pontua que o progresso das sociedades é obtido a partir da busca pelas ambições individuais e não pela benevolência. Ocorre que a ideia do pai do liberalismo econômico de meritocracia - ideia segundo a qual o indivíduo deve conquistar os seus objetivos por meio do esforço individual, sem incentivos do Estado - tende a ser equivocada, visto que essa promove a manutenção da desigualdade entre os cidadãos ao subjugá-los a viver acorrentados às raízes dos problemas socioeconômicos brasileiros: machismo, racismo, intolerância. Assim, enquanto o Brasil se pautar nos ideais de Smith, as classes sociais mais prestigiadas tenderão a não aceitar medidas governamentais que visem o bem estar da nação.

Ademais, a maldade humana motiva os discursos de ódio. Nesse sentido, a filósofa Hannah Arendt desenvolveu o conceito de Banalidade do Mal, segundo o qual as atitudes cruéis assumem facetas comuns na sociedade. Nesse viés, as relações em comunidade se tornam caóticas e substancial parcela dos cidadãos manifestam uma hostilidade cultural, o que demonstra um grave problema e estimula a perversidade no meio social. Essa barbárie instalada se expressa nas relações estabelecidas entre indivíduos que apresentam distinções na hierarquia social, visto que discursos de ódio se tendem a se tornar mais frequentes quando relacionados aos indivíduos vitimados pelos preconceitos existentes. Logo, enquanto a observação de Arendt for a regra, a cultura de paz será exceção.

É notável, portanto, que a violência contra as minorias apresenta diversos alicerces. Sendo assim, para mitigar o problema, é necessário que as instituições de ensino promovam atividades elucidativas acerca da Banalidade do Mal por meio de aulas interdisciplinares, oficinas e palestras a fim de conscientizar os alunos e as suas famílias acerca  da necessidade de se combater a barbárie na comunidade e instrumentalizá-las para tal. Essa iniciativa teria a finalidade de amenizar a situação caótica na qual a sociedade foi inserida pelo estabelecimento de uma cultura meritocrática e estabelecer, de fato, um Estado de bem estar social, no qual a meritocracia é desconstruída e a igualdade não é apenas teoria.