Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 16/06/2019

Idealizada pelo filósofo grego Sócrates, a Maiêutica era a forma pela qual uma discussão tenderia ao progresso, uma vez que toda forma de pré-julgamento deveria ser abandonada dando espaço ao debate racional pleno. No entanto, muitos séculos depois, a sociedade ainda encontra  dificuldades no diálogo entre os indivíduos e suas divergências, na medida em que evidencia-se a aversão a grupos minoritários figurada em discursos de cunho violento e preconceituoso, fato que tem causas históricas e sociais.

Em primeiro plano, percebe-se que na Ágora contemporânea, as redes sociais,  a dificuldade em conviver com o diferente no âmbito social, ideológico ou político promove a disseminação de injúrias que ferem a dignidade moral de setores da sociedade marginalizados ao longo da história, a qual foi marcada pelo etnocentrismo, patriarcalismo e maniqueísmo dos julgamentos. Dessa forma, a herança da mentalidade do passado tem impedido que pessoas negras, lgbt’s, não cristãos, entre outras, tenham seus direitos violados ao serem atacadas com comentários mal intencionados e que configuram crime no Brasil.

Além disso, a falta de uma base educacional pautada na diversidade e na busca pela compreensão dos direitos e deveres constitucionais contribui negativamente para tamanha intolerância. A defesa de que, ao cometer crimes de ódio na internet, o praticante usa de sua liberdade de expressão corrobora o fato de que a ausência de uma consciência cidadã, aliada a nocivos aspectos culturais pode causar sérios danos àqueles que sofrem perseguições e maus julgamentos. Logo, é primordial construir filosofias como a do Sociólogo Habermas, para a qual as relações sociais têm êxito apenas se os seus integrantes dotarem do conhecimento de regras prévias e nunca desconsiderarem a ideia do outro.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para minimizar a ocorrência dos discursos de ódio, reflexo do preconceito histórico. O Ministério da Educação deve inserir na grade curricular nos níveis fundamental e médio o ensino da diversidade e dos males da intolerância, com enfoque no meio digital, realizado por meio de aulas de Sociologia e palestras com profissionais de Direito atentando para as responsabilidades civis, a fim de engajar os jovens na busca pelo respeito. Ademais, a Promotoria Pública deve efetivar as leis já criadas, aumentando assim as chances de se alcançar uma cidadania pragmática e realmente legítima e plural.