Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 17/06/2019

O Brasil é, historicamente, um país intolerante. Desde que a Igreja Católica, no século XVI, apoiou a escravidão, relacionando a cor negra com eventos amaldiçoados, o território tupi-guarani é palco de embates políticos que extrapolam o limite da argumentação, assumindo uma postura repressiva frente à minorias. Este fator, está intrinsecamente ligado ao negativo índice de desenvolvimento ético da sociedade brasileira, situação que se deriva de um passado que ainda não foi superado.

Em primeira análise, é válido acentuar, que o discurso de ódio existe em função de uma gama social que não atenta para os direitos e peculiaridades das minorias, sejam elas, mulheres, negros ou LGBTQ´s, desrespeitando direitos e garantias constituídas legalmente. O filósofo John Locke, em sua obra “Carta sobra a Tolerância” disserta que a tolerância não está fundamentada nos direitos da consciência, mas na defesa da liberdade, esta, sob a salvaguarda do Estado. O poder público, por sua vez, não contribui  para que a complacência deixe de ser utopia, mas age de modo a exacerbar cada vez mais este conflito, travando guerras partidárias imensuráveis, induzindo ao discurso de ódio.

Por conseguinte, precisa-se de um forte poder de influência da história no comportamento da população: ao relembrar que no Brasil Colonial, os padres jesuítas começaram  catequizar os índios para que esta minoria acate prerrogativas europeias, fica explícita a contribuição decisiva no processo ideológico de padronização cultural que perdura até hoje. Ainda em John Locke, o filósofo afirmou “não é a diversidade de opiniões, mas a perseguição que gera os tumultos e a revolta”, partindo desta afirmação, é observável que os discursos ofensivos não colide-se com barreiras para se propagar, visto que encontra meio ideal para fazer sua morada: uma sociedade historicamente intolerante, que não tem o pífio interesse em se desenvolver.

Portanto, é conveniente que o Estado tome providências para atenuar este quadro social. Afim de conscientizar a população a respeito da tolerância, cabe ao Ministério da Educação, contando com verbas governamentais, implantar políticas de base em escolas de primeira infância, enfatizando as diferanças pessoais de uma sociedade democrática, respeitando a liberdade de expressão de todos. De igual maneira, usar a internet como veículo freio dos discursos de ódio incorporando, também, campanhas que detalhem os direitos e deveres de cada indivíduo e ainda sobre a relevância dos Direitos Humanos, de forma que esta sociedade tolerante e livre não fique apenas nas teorias de Locke.