Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 16/06/2019

Agressões verbais, físicas e até mortes têm sido o cenário enfrentado pelas minorias continuamente. Ainda que seja um direito garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, o respeito ao outro não é cumprido por muitas pessoas. Isso advém, muitas vezes, da falta de participação das escolas na vida social dos alunos e da acomodação de muitos diante da violência.

Em primeira análise, quando Lev Vygostsky afirma que as escolas não devem se afastar da esfera social ressalta-se a importância das mesmas na construção cidadã dos alunos. No entanto, os espaços educativos, frequentemente, não promovem a propagação do respeito e tolerância por meio de uma devida formação docente, pelo contrário, muitas vezes são ambientes que proporcionam situações de bullying ou desprezo. Dessa forma, intolerância e discursos de ódio difundem-se sem encontrar a uma orientação crítica no processo ensino-aprendizagem.

Ademais, a aceitação da violência por muitos também contribui para a perpetuação da discriminação e do preconceito. Por ser próxima, presente e cotidiana, a intolerância acaba, mesmo involuntariamente, não comovendo e nem chocando mais boa parte da população, caracterizando o que Hannah Arendt definiu como banalização da violência. Há, constantemente, uma aceitação do desrrespeito como algo normal na sociedade, sobretudo por aqueles que não sofrem esse tipo de violência. Sendo assim, cria-se uma barreira que evita uma reação de cada cidadão individualmente ou grupo social coletivamente.

Fica claro, portanto, que tanto a falta de engajamento social das escolas quanto a banalização da intolerância e do discurso de ódio contribui para a propagação dos mesmos na sociedade. A Base Nacional Curricular Comum, por meio de emendas, deve adicionar às diretrizes disciplinas de cunho social, como sociologia e educação e sociedade, que destaquem a importância do respeito e tolerância, para a construção de indivíduos mais compreensivos, mitigando, assim, os casos e a banalização da violência.