Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 16/06/2019
A sociedade da indiferença
Em meados do século XX, na Alemanha nazista, foi desenvolvida a chamada solução final, um plano que visava remover a população judaica do chamado espaço vital ariano, com a justificativa de que eles não pertenciam aquele território. Nesse sentido, percebe-se a relevância secular da discussão sobre o tratamento coercitivo dado a alguns segmentos populacionais. A partir dessa perspectiva, é inferível que essa conduta, na contemporaneidade, ocorre majoritariamente devido a um modelo de sociedade excludente vivenciado em vários lugares, sendo que esse tipo de atitude pode trazer negativas consequências socioeconômicas para esses grupos inferiorizados.
Seguindo essa linha de pensamento, se faz necessária a análise de que o sistema social e produtivo predominante em diversas regiões do globo é um fator que potencializa os discursos de ódio em relação a parcelas minoritárias. Exemplificando esse aspecto, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês do século XIX, observou que a modernidade traria uma maior volatilidade e afrouxamento das relações interpessoais por causa das novas características intrínsecas ao seu funcionamento. A partir desse panorama elucidado pelo pensador europeu, pode-se refletir que ele serve de base para entender manifestações de repressão contra alguns indivíduos, já que aspectos como o individualismo e a meritocracia, perceptíveis atualmente, levam a uma repulsa por parte de algumas pessoas a tudo e todos que não pensam ou agem de forma similar a elas, corroborando em respostas coercitivas contra essas situações.
Em segundo plano, é importante ressaltar que esse cenário de ataque sofrido por certas minorias resulta em desdobramentos ruins para esses segmentos humanos. Casos como a morte de uma mulher no Rio de Janeiro por ser praticante de certa religião ou dados de um importante jornal de saúde internacional mostrando a maior propensão de grupos negligenciados sofrerem doenças mentais, demonstram a faceta perversa que a exclusão e repúdio social podem ocasionar em pessoas que não são plenamente reconhecidas como parte integrante de suas sociedades.
Entende-se, portanto, que os posicionamentos de repressão contra alguns indivíduos derivam de fatores prioritariamente sociais e ideológicos. Logo, a fim de amenizar essa problemática, o Ministério da Educação deve implementar na grade curricular das escolas brasileiras o estudo sobre inclusão e diversidade étnica, por meio de aulas, palestras e pesquisas de campo sobre os diversos grupos minoritários da história do país, intensificando-se o conhecimento sobre suas histórias e lutas por reconhecimento. Isso fará com que haja um maior reconhecimento e menor repressão deles no Brasil.