Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 17/06/2019

Lênin, teórico e ativista político russo, afirmava que a democracia existe somente para aqueles que são reconhecidos e representados. Tal pensamento se encaixa no contexto brasileiro, uma vez que, por mais que vivemos em um sistema democrático, as minorias sociais são constantemente vítimas da intolerância e de discursos de ódio. Nessa conjuntura, cabe analisar os fatores que motivam esse tipo de comportamento, dentre eles a condição de invisibilidade desses grupos e a normatização das práticas odiosas.

Em princípio, é importante compreender como as minorias estão sujeitas ao anonimato. Dentro dessa lógica, o filósofo Immanuel Kant discorre que o homem age conforme as suas máximas, ou seja, conforme o seu juízo particular. Nesse sentido, ao pensar apenas pelos seus próprios pontos de vista, os grupos dominantes sustentam a ideia de que os grupos minoritários e as causas pelas quais eles lutam são ilegítimas. Dessa maneira, essa visão colabora diretamente para a intolerância, condenando as minorias à invisibilidade social.

Ademais, é notório uma normatização do preconceito contra as minorias sociais no país. Nesse viés, tal atitude é chamada de ‘‘banalidade do mal’’ pela socióloga Hannah Arednt, que diz que, por ocorrer frequentemente, a manifestação de caráter violento deixa de ser vista como errônea pela maioria. Logo, ao serem incorporados e reproduzidos em grande escala pelas camadas majoritárias, o preconceito e o discurso de ódio atuam sem obstáculos no cenário brasileiro, fazendo de vítimas os grupos vulneráveis em direitos.

Infere-se, portanto, que há entraves que não permitem a minimização da intolerância e do preconceito contra as minorias no país. Para atenuar esse mau hábito, é preciso que, em primeiro lugar, o Ministério da Educação discuta essa temática nas salas de aulas, por meio da inserção do tema dentro da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Além disso, a mídia, em parceira com as secretarias estaduais e municipais, deve promover campanhas de engajamento que incentivem a população a conhecer e apoiar às minorias e as causas pelas quais elas lutam, sem banalizá-las ou ilegitimá-las. Ambas essas propostas ajudarão a dissolver a intolerância que existe no país e, assim, acabar gradativamente com os discursos de ódio direcionados a esses indivíduos.