Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 16/06/2019
Comparação Durkheimiana
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre de maneira efetiva, visto que uma parcela da sociedade sofre tratamento desumano e degradante - uma tortura moral- por meio de discursos de ódio. Nessa perspectiva, torna-se evidente que nenhum indivíduo tem o direito de ser humilhado por sua escolha ou opinião, à medida que qualquer cidadão tem a garantia de se expressar sem constrangimento moral.
A princípio, destaca-se o individualismo como impulsionador da intolerância e dos discursos de ódio. Durante o humanismo, o homem configurou-se como lugar central de suas ações, potencializando o processo do antropocentrismo. Entretanto, essa mudança afetou não somente o homem, mas também sua cultura, sendo perpetuada até os dias atuais. Com isso, hodiernamente, o egocentrismo assumiu um papel negativo na sociedade com ações preconceituosas e atos de humilhações àqueles que são minoria e que fogem dos padrões impostos pela maioria. Dessa maneira, evidencia-se que a falta de tolerância e aceitação ao próximo é intensificada por esse pensamento egoísta e individualista.
Há de se considerar, também, a ineficácia das políticas públicas de inclusão para minorias como vetor dessa problemática. Tido como um dos maiores filósofos da humanidade, Aristóteles previu que, para haver equilíbrio social, a política é deveras importante. Sob tal ótica, nota-se a responsabilidade do Estado de se utilizar da política como medida para atenuar a disseminação de práticas de constrangimento moral - que tornam o corpo social desequilibrado e não coeso. Desse modo, é inevitável que as medidas governamentais corroboram para a atenuação dessa intolerância e para a garantia do bem estar das minorias vítimas desses discursos de ódio.
Infere-se, por conseguinte, que a falta de tolerância e o incitamento ao ódio tornam o corpo social desigualitário e não coeso. Nesse sentido, a sociedade deve criar debates sobre a importância da aceitação ao próximo e do respeito, por meio das redes sociais. Com isso, haverá uma fomentação dessa ideias, potencializando a reflexão da população sobre esse assunto. Ademais, o Poder Público deve criar medidas e programas a favor das minorias em todos os âmbitos de disseminação, por intermédio de políticas públicas de inclusão com parte do dinheiro do PIB redimensionado para tal ação, a fim de colocar em prática os direitos previstos na Carta Magna, garantindo então o bem estar dessa parcela social. Assim, poder-se-á, aos poucos, tornar verídica a comparação de Durkheim.