Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 18/06/2019
Em 1995, Darcy Ribeiro, maravilhado com a riqueza cultural existente no Brasil, graças a sua enorme diversidade étnica, publicou seu ensaio histórico. Neste, ele defendia que o Brasil logo alcançaria o que ele chamou de “Civilização Tropical”, em que todos os grupos formariam um só povo, marcados por suas diferenças. No entanto, a realidade encontrada atualmente é de intolerância e perpetuação de discursos de ódio contra as minorias do país, que o impedem de alcançar o ideal de igualdade.
Primeiramente, é valido ressaltar que a normatização de preconceitos perpetua esse mal dentro da sociedade. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a escola, depois da família, é um mecanismo de socialização secundária. Isso demonstra que, a escola é a instituição que deve preparar os indivíduos para viver em sociedade respeitando as diversidades e a cultura de cada um em um contexto afastado dos princípios defendidos pelos familiares, visto que estes nem sempre vão de acordo com o ideal democrático. Desta forma, o atual panorama de intolerância demonstra uma falha no processo de socialização, e mostra que os valores aprendidos no inicio na vida, quando não confrontados na escola, tendem a se perpetuar na sociedade.
Ademais, destaca-se que, apesar da Constituição garantir direitos para todos, alguns grupos continuam marginalizados. De acordo com o filosofo grego Aristóteles, devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades. Segundo ele, a igualdade não é dar o mesmo a todos, mas garantir que todos consigam chegar ao mesmo lugar. Isso pode ser observado dentro das políticas afirmativas, como cotas para determinados grupos, essas medidas promovem a inclusão das minorias dentro da sociedade. Contudo, muitas dessas medidas são combatidas por grupos que se sentem ameaçados pela mudança e desejam retornar aos ideais ultrapassados. Desta maneira, cabe ao Estado reforçar as medidas que protejam estes grupos.
Em suma, para que a intolerância e perseguição contra as minorias sejam extinta, urge que o poder legislativo aprovar um maior alcance das políticas afirmativas. Nesse contexto, devem ser criadas cotas para cada grupo dentro do Congresso Nacional, para que estes possam defender seus direitos e aumentar sua representação. Além disso, cabe as escolas abordarem do tema intolerância dentro das salas de aula, em disciplinas como história, sociologia e filosofia, promovendo discussões e debates acerca de questões éticas e sociológicas, com o objetivo de combater a discriminação. Assim, o Brasil caminhará em direção a construção de uma verdadeira Civilização Tropical.