Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 19/06/2019

Em 1995, Darcy Ribeiro, maravilhado com a riqueza cultural existente no Brasil, graças a sua enorme diversidade étnica, publicou seu ensaio histórico. Neste, ele defendia que o Brasil logo alcançaria o que ele chamou de “Civilização Tropical”, em que todos os grupos formariam um só povo, marcados por suas diferenças. No entanto, a realidade encontrada atualmente é de intolerância e perpetuação de discursos de ódio contra as minorias do país, que o impedem de alcançar o ideal de igualdade.                   Primeiramente, é valido ressaltar que a normatização de preconceitos perpetua esse mal dentro da sociedade. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a escola, depois da família, é um mecanismo de socialização secundária. Isso demonstra que a escola é a instituição que deve preparar os indivíduos para viver em sociedade, respeitando as diversidades e a cultura de cada um, em um contexto afastado dos princípios defendidos pelos familiares, visto que estes nem sempre vão de acordo com o ideal democrático. Desta forma, o atual panorama de intolerância demonstra uma falha no processo de socialização e mostra que os valores aprendidos no inicio na vida, quando não confrontados na escola, tendem a se perpetuar na sociedade.

Ademais, destaca-se que, apesar da Constituição garantir direitos para todos, alguns grupos continuam marginalizados. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades. Segundo ele, a igualdade não é dar o mesmo a todos, mas garantir que todos consigam chegar ao mesmo lugar. Isso pode ser observado dentro das políticas afirmativas, como cotas para determinados grupos, essas medidas promovem a inclusão das minorias dentro da sociedade. Contudo, muitas dessas medidas são combatidas por grupos que se sentem ameaçados pela mudança e desejam retornar aos ideais ultrapassados. Desta maneira, cabe ao Estado reforçar as medidas que protejam estes grupos.

Em suma, para que a intolerância e perseguição contra as minorias sejam extinta, urge que o poder legislativo aprovar um maior alcance das políticas afirmativas. Nesse contexto, devem ser criadas cotas que exijam um numero mínimo de representantes de cada grupo, como negros, deficientes, mulheres, entre outros dentro do Congresso Nacional, para que estes possam defender seus direitos e aumentar sua representação. Além disso, cabe às escolas abordarem do tema intolerância dentro das salas de aula, em disciplinas como história, sociologia e filosofia, promovendo discussões e debates acerca de questões éticas e sociológicas, com o objetivo de combater a discriminação. Assim, o Brasil caminhará em direção a construção de uma verdadeira Civilização Tropical.