Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 21/06/2019

É inegável que a intolerância e o ódio sobre minorias, estão cada vez mais aparentes. As mesmas, em questão de números, estão mais presentes na sociedade do que os demais grupos. Para emitir esse ódio, muitos agressores utilizam as redes sociais, já outros, acabam disseminando o mesmo e sua intolerância pessoalmente.

Entre abril e junho de 2016, algoritmos analisaram algumas redes sociais e constataram que, 84% das menções sobre temas relacionados às minorias, possuíam caráter negativo de preconceito e intolerância. A SaferNet Brasil recebe denúncias de discursos de ódio e desde 2006, mais de dois milhões foram constatadas, sendo 28% das mesmas, crimes de racismo. No ano de 2017, 104 páginas foram retiradas de circulação por possuírem conteúdo homofóbico. Infelizmente, ainda percebe-se inúmeros desses casos nas redes sociais, desde comentários preconceituosos até ameaças de morte. Segundo o site Exame, o vice-presidente do Facebook disse que a rede tem uma equipe, composta por milhares de pessoas, que a bloqueiam publicações agressivas e mentirosas, sendo 65% do conteúdo de discurso de ódio bloqueado antes de chegar aos usuários.

Ao contrário de quem se esconde por trás de um perfil na internet, há quem também expõe seu ódio e intolerância fisicamente. Inúmeros casos de feminicídios, preconceito racial, homofobia e crimes contra outras classes da minoria, são registrados todos os dias. O Ministério dos Direitos Humanos  divulgou dados entre 2011 e 2018, que mostram 47 denúncias de intolerância religiosa apenas no Distrito Federal. Esse número já preocupa, mas muitos casos não são denunciados, sendo assim, o número é bem mais agravante. Também no Distrito Federal, os casos de feminicídios cresceram 16% nos cinco primeiros meses do ano, em relação ao ano passado. No ano de 2017 foram registrados ataques a alunos negros na Universidade Federal de Santa Maria. Mensagens de ódio foram escritas nas paredes do Diretório Livre do curso de Direito, citando que os mesmos deveriam estar “no tronco” (remetendo à tortura que os negros sofriam no período da escravidão).

Levando em consideração os fatos citados, o sistema legislativo deve implantar leis mais drásticas para casos de intolerância e ódio contra as minorias. Campanhas, criadas pelo governo, devem ser exibidas mais frequentemente, para que as vítimas denunciem, não deixando os agressores impunes. As redes sociais devem investir em mais profissionais que identifiquem os discursos de ódio que circulam pela mesma, para que mais providências sejam tomadas. As escolas devem desenvolver palestras, para que os alunos e pais estejam atentos a qualquer sinal de intolerância e ensinem as crianças que todos devem ser tratados iguais, com respeito.