Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 02/07/2019

A segregação racional institucionalizada acabou no século XXI, com o fim dos regimes nazifascistas, do segregamento nos Estados Unidos, do “Arpatheid” na Africa do Sul, entre outras. Todavia, apesar dessa vitória do princípio da igualdade, a intolerância contra as minorias não foi extinta, ela persistiu na sociedade civil de forma velada. Entre as causas, a banalização do preconceito somada ao uso inconsciente das redes sociais se destacam.

Em primeira analise, ressalta-se a conversão da demonstração de preconceitos -como homofobia, misoginia e xenofobia- em atos normais e que por parecerem aceitáveis socialmente, vítimas deixam de buscar seus direitos e ,paralelamente, essa cultura de ódio é perpetuada para a próxima geração. Esse processo social exemplifica o conceito criado pela socióloga Hannah Arendt, Banalidade do Mal: um mal que se torna banal pela constância. Piadas ofensivas são aceitadas, assédios em transportes públicos são ignorados e ,consequentemente, o direito constitucional de isonomia é negligenciado.

Outrossim, com o advento da era digital, possibilitou-se a acessibilidade à informação de forma democrática. Porém, o meio digital também facilitou a propagação do discurso de ódio de alguns usuários, haja vista a possibilidade de anonimato e a circulação veloz do conteúdo, enquanto a vítima pode ser mais impactada, pois o alcance das publicações é imenso. Tal realidade estabelece um sentimento de impunidade entre a comunidade virtual, o que favorece a continuidade da discriminação  contra grupos minoritários.

Percebe-se portanto, conforme o exortado pelo líder Nelson Mandela, que após escalar a montanha do preconceito institucional do século XX, as novas montanhas do preconceitos velado do século XXI precisam começar a ser vencidas. Para tanto, o Ministério da Educação deve estabelecer aulas sobre direitos e deveres do cidadão a partir do ensino fundamental, por meio de cartilhas lúdicas e palestras interativas, a fim de que o aluno desenvolva a criticidade sobre as atitudes intolerantes à sua volta. Ademais, cabe ao Ministério da Justiça criar mais delegacias especializadas em crimes virtuais e assim, mitigar a ocorrência de postagens de ódio nas redes sociais.