Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 02/07/2019

Em decorrência da expansão Romana, a sociedade antiga se depara com o período helenístico, o qual entende-se como um momento da história marcado pelo choque cultural e ideológico entre diferentes povos. Desde essa época até os dias atuais, tal confronto, muitas das vezes, ocasiona em um sentimento de ódio e na tentativa de supressão do dessemelhante, tendo como principais alvos grupos vulneráveis como as minorias, o que se baseia na falta de diálogo e evidência necessidade da luta.

Em primeiro plano, é válido pontuar que pessoas intolerantes, no geral, não buscam entender o próximo, construindo, assim, diálogos preconceituosos. O pensador Sócrates abominava condutas como essa, pois, para ele, estar aberto a entender os diferentes pontos de vista, independentemente de quem seja o interlocutor, é fundamental em qualquer discussão. Porém, em contraposição à sua filosofia, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo G1, cerca de 54% dos entrevistados dizem ter a sensação de que os debates sobre temas sociais têm se tornado divisores.  Desse modo, o indivíduo, impondo ao próximo a sua verdade como absoluta e universal, faz com que as reivindicações por igualdade continuem sendo propensas, constantemente, ao retrocesso.

No entanto, a existência desses discursos intolerantes, para além de uma construção social, expõe a existência do preconceito e, consequentemente, a importância do combate diário para reverter o cenário. No filme de animação intitulado zootopia, a personagem principal é constantemente subestimada, taxada de incapaz e, apesar de todo desgaste emocional e psicológico sofrido, continuou lutando e servindo de inspiração para tantas outras como ela. Analogamente, fora do universo fictício, observa-se o impacto do fortalecimento do movimento das minorias na sociedade e a relevância de sua preservação onde, por meio da resistência e de reivindicações, são capazes de se sobrepor ao ódio e se fazer ouvir diante uma estrutura que busca impossibilitá-las.

Assim, diante dos fatos supracitados, fica evidente a necessidade do combate à intolerância e ao discurso de ódio contra minorias. Inicialmente, é de suma importância que o Governo Federal, juntamente com o MEC (Ministério da Educação), proponha aos professores de todos os níveis educacionais, a elaboração de projetos que estimulem a discussões entre os alunos, usando recursos como debates, saraus e demais ferramentas, naturalizando cada vez mais a prática e os temas, tal como treinando a capacidade de escutar. Não obstante, esse mesmo órgão, por intermédio dos principais meios de comunicação, deve divulgar campanhas de apoio e incentivo de movimentos sociais, divulgando contatos afim de trazê-los visibilidade. À vista disso, choques culturais e ideológicos, ao se desfazerem do teor intolerante, irão agregar e não segregar.