Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 08/07/2019
Negros, mulheres, índios e a comunidade LGBTQ+. O que estes tem em comum? Todos são minorias na sociedade brasileira no contexto contemporâneo. Minoria não no quesito quantitativo, mas sim à situação de desvantagem social que esses grupos sofrem, sobretudo à isonomia que é garantida pelo artigo 5º da Constituição Brasileira. Isso impulsiona uma certa desigualdade social, e os grupos minoritários tornam-se alvos de intolerância e discursos e ódio, que apesar de avanços, ainda há muitos desafios a serem enfrentados.
Fala-se de avanços nos direitos das minorias, uma vez que o Estado tem debatido políticas públicas para a inclusão de grupos que historicamente não tiveram seus interesses representados até então. Com a virada do século, podemos citar a implantação de cotas para facilitar o acesso de negros e indígenas às universidades, tendo em vista que esses, apesar de representarem mais de 50% da população brasileira, não compõe 30% dos universitários no Brasil, segundo dados do IBGE. Também foi aprovada a Maria da Penha, lei que traz maior proteção às mulheres, pois prevê uma repressão mais acentuada para aqueles que praticarem violência contra a mulher por conta da sua condição de sexo feminino. Sendo assim, nota-se que houve avanços para proteger as minorias no Brasil.
Contudo, os avanços não foram o suficiente para impedir que os grupos minoritários sofressem com intolerância e discurso de ódio. Com o advento das redes sociais proporcionado com a expansão ao acesso à internet no país nas ultimas décadas, os novos meios de comunicação tornaram-se espaços para a difusão de ódio contra as minorias. Conteúdos misóginos, xenófobos, homofóbicos, de intolerância racial ou religiosa são amplamente divulgados em fóruns online diariamente, pois as pessoas se beneficiam do anonimato que a internet possibilita. Exemplo disso é o ataque racista que a filha adotiva do ator Bruno Gagliasso sofreu nas redes sociais, onde poucos foram punidos pelas injúrias disseminadas online. Portanto, apesar de avanços como as cotas, as minorias ainda sofrem discriminação, sobretudo no meio virtual.
Portanto, a modo de combater discurso de ódio e intolerância no contexto brasileiro, o Ministério da Educação pode incluir às grades de Sociologia debates sobre racismo e machismo, por exemplo, de modo que repasse aos estudantes importância do respeito às diversidades, para que estes não reproduzam discursos de ódio fora do ambiente escolar, pois a escola, como instituição de socialização primária, é essencial na construção do caráter dos indivíduos. A Policia Federal poderia ampliar o departamento de crimes virtuais, a partir de uma parceria com redes sociais como Facebook, para que pessoas que propaguem discursos de ódios sejam facilmente reconhecidas e devidamente punidas