Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 08/07/2019

Minorias são grupos historicamente desfavorecidos em relação a políticas públicas e relações sociais. De tal modo, é sabido que no decorrer da formação humana, momentos que promoveram avanços na cultura da ética são relevantes. No entanto, embora tais ações sejam significativas, a intolerância e o discurso de ódio contra as minorias ainda possuem níveis alarmantes de incidência, sendo necessárias medidas mais efetivas no combate da questão.

Em primeiro lugar, é fulcral conhecer os avanços da cultura da ética humanitária. Assim, podemos tomar como parâmetro do extremo oposto dessa, o Nazismo vigente na segunda guerra mundial. Desse modo, como uma das piores demonstrações de intolerância, o sistema embasado em preconceitos de superioridade fez com que potências mundiais, no pós-guerra, tomassem medidas para evitar um possível recrudescimento do viés. Dito isto, a Conferência de Genebra, de 1951, e a criação da ONU, com os direitos humanos, traduzem a preocupação em efetivar a cultura do respeito ao próximo.

Não obstante, hodiernamente, pode-se observar o crescimento do discurso de ódio, uma vez que reaparecendo em políticas de Estado, sua nocividade é exponencializada. Assim como o eu-lírico machadiano Brás Cubas, em seu livro, diz que “pela simples transmissão de uma força se tocam os extremos sociais” definição a qual ele chama de solidariedade do aborrecimento humano, podemos relacionar tal conceito às políticas de Estado vigentes na França e na Hungria, à rigor de exemplo, que referem o discurso de ódio aos refugiados, que por sua vez são um tipo de minoria. Assim, entende-se que a transmissão vertical (de cima para baixo) da intolerância, fornece maior difusão do pensamento preconceituoso na sociedade.

Torna-se claro, portanto, que embora a evolução do respeito ao próximo seja considerável, há contrapontos que levam ao recrudescimento do discurso de ódio. Urge, porém, a ação conjunta entre ONG’s, escolas e mídia no viés combativo da problemática. As Organizações Não Governamentais atuantes no processo devem promover palestras e seminários nas escolas com o fito de valorizar a cultura da ética nas futuras gerações e mitigar os efeitos do preconceito nos dias atuais. A mídia, por sua vez, através de veículos informativos de massa, como telejornais e sites, deve desempenhar seu papel de “cão de guarda” social, alertando a sociedade e fornecendo os instrumentos necessários, por um viés catártico, para que possamos combater a vigência da intolerância e do discurso de ódio contra minorias, na contemporaneidade.