Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 15/07/2019

No livro A Era dos Extremos, do historiador Eric Hobsbawn, é retratado um século XX repleto de conflitos, em grande parte de caráter bélico, político e ideológico, em um panorama globalmente bipolarizado. Este cenário extremista, no entanto, não restringiu-se ao século passado, alastrando-se até a contemporaneidade e presente nos discursos de ódio. Com efeito, gerou-se uma crescente onda de intolerância a nível mundial, acentuada nos últimos anos com o advento da internet.

Primordialmente, as estatísticas mostram que o Brasil, juntamente com os EUA, a Polônia e a Espanha, ocupa a sétima posição no ranking dos 27 países mais intolerantes do mundo, segundo uma pesquisa apresentada pelo Portal G1. Da mesma forma, a polarização de ideias, que tornou-se um fenômeno intensificado em diversos países, fechou o espaço para debates saudáveis, cedendo-o para palavras de aversão. Desse modo, as parcelas da população que encontram-se em desvantagem social - as chamadas minorias, como mulheres, negros, indígenas e LGBT+  - são colocadas em posição de ainda maior vulnerabilidade. Por conseguinte, a luta contra a opressão dos grupos dominantes faz-se ainda mais necessária.

Outrossim, os discursos de ódio encontram nas redes sociais um terreno fértil para a sua propagação. De acordo com uma pesquisa do jornal O Globo, mais de três quartos das citações de termos como “homofobia” e “racismo” possuem teor negativo nas redes sociais. Portanto, o ambiente de informalidade e até anonimato fizeram do meio virtual um local de abuso da liberdade de expressão, muitas vezes ferindo a dignidade da pessoa humana, princípio fundamental da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Urge então, a necessidade de políticas governamentais que assegurem o respeito à diversidade, exercendo maior controle sobre qualquer forma de violência, através da implantação de delegacias especiais de atendimento 24 horas. Ademais, com relação aos movimentos de resistência das minorias, a mídia e a sociedade devem oferecer apoio e não criminalizá-los.