Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 29/08/2019
Na obra “ a condição humana”, a filósofa alemã Hannah Arendt afirma que os indivíduos devem ser altamente habituados a conviver com as diferenças, haja vista que a diversidade é algo completamente inerente à condição humana. No entanto, ao analisar a real conjuntura, percebe-se que a intolerância e o discurso de ódio contra as minorias são demasiadamente recorrentes no meio social e corroboram para que essa asserção não seja, de fato, uma realidade. Diante disso, é irrefutável que esse lastimável cenário de intransigência e apatia social, fruto do individualismo exacerbado e agravado com a expansão das mídias sociais, deve ser solucionado e erradicado no mundo, sobretudo no brasil, o famigerado “país de todos’’.
Primeiramente, é importante destacar que o individualismo, conforme afirmou o filósofo Zygmunt Bauman, na obra “modernidade líquida”, é uma das principais características da pós-modernidade e contribui para que grande parcela da população seja incapaz de tolerar diferenças. Nessa lógica, o constante ataque às minorias, fomentado pela estereotipação e discriminação, evidencia a presença do individualismo na sociedade e revela o quanto a educação básica é deficitária e ineficaz no tocante à formação de indivíduos que deveriam reconhecer a importância da coletividade e do respeito às diferenças, uma vez que a formação do país se deu por meio do processo de miscigenação.
Em segundo plano, é imperioso ressaltar que esse contexto deturpado de intolerância perene é acentuado com a expansão da internet. Nesse sentido, é fato que o avanço das tecnologias provocou um crescimento demasiado do número de internautas que, movidos pelos sintomas do individualismo e respaldados pelo anonimato das redes, utilizam as mídias sociais para promoverem todo e qualquer discurso de ódio contras negros, homossexuais e indivíduos que são considerados “ inferiores” por suas diferenças. Esse quadro deplorável de opressão contraria o discurso do sociólogo Manuel Castells, o qual define a internet como um relevante espaço de autonomia e indispensável para o exercício da democracia.
Logo, para a resolução da problemática, urge que o ministério da educação e cultura(MEC), solucione o impasse do individualismo e, consequentemente, da intolerância, por meio da destinação de verbas específicas às instituições escolares, para a promoção de projetos sociais que utilizem, tanto obras literárias e fatos históricos, como palestras elucidativas sobre o tema da diversidade que envolvam o corpo discente e também os responsáveis, a fim de conscientizar todo o corpo social sobre a importância da coletividade do respeito às diferenças. Dessa forma, esse impasse reverter-se-á e a formulação defendida por Hannah se concretizará, de fato, no brasil.