Intolerância e discurso de ódio contra minorias
Enviada em 16/09/2019
Coercitividade apática
Na atual conjuntura política nacional, é indubitavelmente necessário que se desconstrua o discurso de ódio contra minorias, haja vista essa realidade de grande intolerância e violência contra grupos marginalizados da sociedade. Nesse sentido, há uma formação social de cidadãos que naturalizam a opressão e perpetuam o preconceito no cotidiano.Cabe-se,então,analisar os impactos dessas atitudes.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, observa-se um progressivo crescimento das discussões e ofensas nas ruas das grandes cidades. Nesse contexto, a falta de empatia da sociedade causa a humilhação moral do indivíduo ao não assegurar seus direitos básicos de ser respeitado. Segundo o artigo 3° da Constituição Cidadã de 1988, é dever do Estado promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Contudo, não é perceptível essa realidade no Brasil, grupos como as mulheres, índios e negros perpetuam-se às margens da sociedade, o que demonstra um processo histórico de opressão e intolerância.
Ademais, vale ainda ressaltar que o discurso de ódio estimula a violência, subproduto de uma formação psicossocial de ignorância e raiva. Nessa perspectiva, as minorias são os grupos mais atingidos por essa prática, tornou-se comum observar nos jornais atos criminosos contra gays, negros e mulheres, o que realça o caráter apático e violento da população ao naturalizar esse tipo de crime. Durkheim, nesse sentindo, apresentou o conceito de coercitividade, na qual os padrões culturais ditam as atitudes das pessoas, logo, apesar de ser imoral, há um hábito errôneo de se propagar o discurso de ódio. Dessa forma, aumenta-se os casos de violência ao redor do planeta, sobretudo contra àqueles que são historicamente oprimidos.
Torna-se evidente, portanto, que o discurso de ódio e a violência contra as minorias estão intrínsecos na sociedade. Para reverter esse quadro é preciso que os Governos locais - aliados à grandes emissoras televisivas- estimulem propagandas de cunho social, na qual haja a oferta de vídeos que demonstrem a necessidade de respeitar os outros e incitem a redução da violência, através de programas diários de debates sobre as diversidades individuais e que promovam técnicas de respiração para momentos de raiva, para que a pessoa irritada se controle em momentos de fúria. Além disso, é preciso que seja compartilhado nesse mesmo meio midiático as punições para o discurso de ódio e canais de apoio para as vítimas, sendo assim, o amparo social será feito. Dessa maneira, construir-se-à uma sociedade em que de fato o respeito e tolerância sejam um bem de todos e não apenas de parte privilegiada da sociedade.