Intolerância e discurso de ódio contra minorias

Enviada em 17/09/2019

Em seus livros, Gilberto Freyre relata o povo brasileiro como cordial e hospitaleiro. Entretanto, observa-se que, no século XXI, a constância da difusão de discurso de ódio alimentado pela intolerância às minorias contradiz o retrato social referido pelo literário. Com isso, urge refutar os impasses dessa problemática, como a transmissão de valores intoleráveis na infância em simetria com a falta de esclarecimento punitivo aos intransigentes, com o intuito de garantir respeito às classes vulneráveis para que desfrutem de uma sociedade mais harmoniosa.

Em primeira instância, destaca-se o reflexo familiar como essencial fomentador da propagação de discursos de ódio às minorias na nação brasileira. Segundo Nelson Mandela, ninguém nasce odiando outra pessoa, esse sentimento é adquirido por aprendizado. Seguindo essa linha de pensamento, a intolerância aos grupos de maior vulnerabilidade social encaixa-se na teoria do líder político, haja vista que se uma criança permeia um ambiente onde seus pais possuem comportamentos que atropelam o respeito aos negros, transgêneros dentre outros, ela tende a atribuir o hábito por causa da experiência cotidiana. Logo, a transmissão de sentimentos impetuosos pelos familiares agrava a disseminação de ódio na sociedade.

Paralelamente a isso, a sensação de impunidade atribuída à internet impulsiona a exposição de atitudes discriminatórias pelas redes sociais. De acordo com Linconh Werneck, diretor geral do Instituto Coaliza, a intolerância exposta virtualmente está apoiada na ideia do anonimato. Nesse ínterim, a falta de conhecimento dos internautas, sobre a existência de métodos para se descobrir quais são os autores das expressões de ódios na web, colabora para a perpétua exibição de mensagens racistas e preconceituosas, como a injustiça sofrida pela jornalista Maria Júlia Coutinho. Portanto, faz-se necessário a inserção de políticas públicas para reverter o quadro social apresentado.

Destarte, entende-se que a intolerância seguido do discurso de ódio é fruto da lenta mudança de mentalidade social somada ao desconhecimento da eficácia investigativa dos autores cibernéticos. Assim, emerge-se imperativo que os professores da primeira infância, por meio de teatros que abordem o respeito às diferenças, incitem as crianças a atribuir valores éticos e morais dignos à vivência entre a diversidade social, a fim de formar cidadãos plausíveis à sociedade. Ademais, compete à mídia televisiva, por meio dos jornais, expor para os usuários das redes sociais a existência de metodologia usada pela polícia civil para punir crimes virtuais, para que os internautas conscientizem que podem ser punidos na web. Desse modo, a intolerância será minimizada, gradativamente, no Brasil.